Toy Story 3

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Esse final de semana eu e a Lia resolvemos fazer algo que há muito eu adiava: separar todos os nossos brinquedos para doação.

Meu quarto tinha dois baús onde eu coloquei todas as bonecas, bichinhos de pelúcia e variados. Longe dos olhos, longe do coração e eu não sentia necessidade nenhuma de revirar os baús… Até este domingo.

O que descobrimos ao revirar tudo é que, se eu sou o Andy…

A Lia era o Sid…

Minhas Barbies estavam todas com um lindo cabelo loiro, conformadas com o patriarcado, enquanto as da Lia estavam carecas, com maquiagem de esmalte ou chapinha feita com ferro de passar…

Meu Aladdin estava com as duas pernas e, embora a Lia tenha de ter cortado parte do cabelo da Jasmine em razão da quantidade de nós, o casal que abrigou meu baú por tanto tempo continua capaz para encontrar novo lar.

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Já aquela boneca ali atrás, que era da Lia, claramente teve algum ataque cardíaco no meio da vida e perdeu a cor dos lábios…

Nem tudo vai para doação. Estamos salvando alguns brinquedos que fizeram parte da nossa vida por mais tempo do que conseguimos lembrar.

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Essa coelhinha, por exemplo, foi meu primeiro brinquedo. E ela está inteirinha! Dois olhos, um nariz, dois botões… Quase 30 anos de uso e aí está ela, firme e forte. Ela fica.

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Esse espelho imundo meu avô trouxe da Disney. Aperte o botão e aparecem os personagens de A Bela e a Fera e, se o áudio ainda funcionasse você ouvia coisas como “Show me the beast” e “I Love you”, conforme as coisas aparecem. Uma graça. E uma graça que foi meu sonho de consumo quando eu tinha 6 anos e a menina popular do pré levou esse mesmo brinquedo para a escola.

Quando meu avô viajou, pedi um igual e fiz um desenho para ele entender o que era. Mesmo sem funcionar direito, o espelho fica.

Ficam também os diversos bichinhos e bonecas que meu avô e minha avó trouxeram do exterior e, mesmo mais antigos do que a grande maioria de coisas que tínhamos, estão super inteiros.

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Cada brinquedo tem sua história… E eu fico feliz de ter uma memória boa o bastante para lembrar quem me deu a maioria deles, o nome que ganharam uma vez que chegaram na minha casa e quais merecem ficar.

Aos muitos outros, sinto muito.

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A Lia vai limpá-los, penteá-los e, em breve, vocês terão novo lar.

Obrigada aí pelos anos de infância feliz.

** A Lia exigiu uma retratação. Ela afirma que não é o Sid, mas a Amy, uma artista:

É… Ela está certa! **

Aluga-se este espaço

Atenção veículos de mídia! Atenção UOL, Folha, Estadão, Veja, Globo, Carta Capital, Brasil Post e Buzzfeed. Estou alugando esse e todos os outros perfis que tenho nas redes sociais para expôr o link de vocês com alguma opinião pré-formada.

Posso falar sobre qualquer coisa.

Acordo nuclear com  Irã?

Denúncia de corrupção no Chile?

Impeachment da Dilma?

Posso até falar sobre acidente aéreo, escalação da seleção brasileira, crise da água…

Basta que vocês me passem os links.

Ahhh e digere bem, tá? Melhor se for em formato de lista. Se tiver piadinha junto, tipo o que o John Oliver faz, melhor ainda. Bem mais interessante falar sobre como os Estados Unidos não têm direito sobre suas fotos nuas do que debater se o país tem direito de espionar qualquer outro país.

Entendeu? Nada de textos com opiniões diversas sobre o mesmo assunto. Nem tentem me explicar conflitos que duram anos. Quero “32 fotos que vão te fazer ser contra Israel”, “Esse vídeo vai te fazer entender o caso Nisman”, “Você não vai acreditar no que o piloto da Germanwings disse antes de sair de casa”.

E atenção, se você ligar AGORA para alugar esse espaço, você ganha INTEIRAMENTE GRÁTIS a hostilização de qualquer opinião que diverge do que combinamos.

Se a Folha publicar um texto dizendo que a Dilma entregou propina na mão de tesoureiro, digo que é essa mídia manipuladora que faz lavagem cerebral em todo mundo.

Opa, Estadão tem infográfico sobre o envolvimento do Alckmin no cartel dos trens. “Esse jornal só defende essa corja de PTralhas”, postarei logo abaixo.

Acho bom ficar claro, aliás, que não tô aberta a ofertas de veículos claramente manipuladores, como a Veja, a Globo e a Carta Capital.

A não ser que a Veja publique matéria sobre como os manifestantes do 12 de junho encontraram o Starbucks fechado por falta de água (#foraAlckmin), ou a Carta Capital publicar texto em defesa do panelaço (#foraDilma).

A Globo? Só aceito para ver novela, BBB, futebol e o Video Show novo, que tá fantástico. As outras informações melhor pegar da Época, da CBN… Bem mais confiável, né? Já que não são da Globo manipuladora.

O preço? Muitos likes! Quero likes e mais likes. Quero pessoas compartilhando meu post e dizendo “taí uma verdade”. Falando “ainda bem que alguém falou o que eu estava pensando”.

E aí?  Quem vai fechar esse acordo maravilhoso?

Porque, sabe o que é? Eu quero muito expressar a minha opinião sobre as coisas. Mas não quero ler tudo isso aí que vocês postam. E olhar o macro é muito chato. Muito difícil.

Então é isso. Vamos diminuir aí essas matérias de vocês, fazer umas listinhas mais digeríveis, uns infográficos mais didáticos, uns vídeos engraçados e aí eu compartilho, pode ser?

FLW VLW

 

 

Uma noite com Paul Bettany

Como prometido, conto hoje sobre como “conheci” o Paul Bettany.

Vocês não sabem quem é Paul Bettany? Tudo bem. Muita gente não sabe.

Esse é o Paul Bettany

Apesar de ele ter feito muita bosta nessa vida (Mortdecai, Transcendence, O Turista, Legion, Priest) em 2007, quando eu fui estudar em Londres por um mês, o pior filme que ele tinha feito era “O Código Da Vinci) e eu podia apontar para o talento dele em filmes como Dogville, Gangster Nº 1 (aliás, esse pouquíssima gente conhece, e é um filme ótimo) e o fofo “Coração de Cavaleiro”, com uma vista constante do corpo nu do moço.

Enfim, em janeiro de 2007 eu tinha apenas 19 aninhos, era fã de Paul Bettany e estava passando o mês todo em Londres estudando inglês.

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A nossa escola era do ladinho da Leicester (pronuncia-se Lester) Square. Na época eu nem tinha me atentado ao fato de que era lá que aconteciam as grandes premieres de filmes. E nem tinha me tocado de que premiere em Londres não é igual no Brasil, que, quando tem, só aparece o Will Smith e a Naomi Campbell, no máximo. Não. Premiere em Londres vai todas as celebs.

Vi de longe a premiere de Dreamgirls (Beyonce saiu no jornal no dia seguinte com talco no suvaco e peruca cheia de nó) e logo no dia seguinte teve também de Rocky 5. Mas nada que me fizesse passar frio por horas para ver.

Até que, um belo dia, ia rolar a premiere de Diamantes de Sangue, com a Jennifer Connely e o Leonardo DiCaprio.

Para quem não sabe, a Jennifer Connelly é casada com o Paul Bettany. A Lia brilhantemente pensou “se a Jennifer Connelly vem, o Paul Bettany não vem também?”

Sim. Existiam grandes chances de ele ir. Gente, o Paul Bettany era alguém naquela época. Ele não era apenas coadjuvante do bosta do Johnny Depp. Ele era alguém que prestava. E eu estava no auge do meu amor por ele. A minha foto no msn (saudades, msn) foi essa por muito tempo:

Depois dos passeios do dia, me posicionei em um lugar estratégico para esperar a “banda” passar. E que frio passei. Meu deus. Era o auge do inverno, eu ali com uma luvinha porcaria que custou 1 libra, segurando numa grade de ferro e tendo batendo os dentes.

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Uma menina coreana que estava do meu lado puxou assunto.

“Só estou aqui para ver o Paul Bettany”, disse.

“Quem é Paul Bettany?”

“O albino de Código Da Vinci”

“Ahhh”

A menina nem sabia o que estava fazendo lá. Mas queria ver celebridades…

Foi umas boas horas no frio até que alguém interessante chegou.

Jennifer Connelly foi. Acompanhada.

Quando eles se aproximaram do lado que eu estava, tão pertinho, eu vi a palidez e as sardas dele. Passei mal.

E com o Motorola V3 da Lia, a única máquina fotográfica que tínhamos (a nossa pifou na Itália, antes de chegarmos em Londres) tirei a foto, tremendo de emoção e de frio.

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E essa foto é a única prova que eu tenho de que vi meu “ídolo” de perto. E que podia ter um autógrafo dele se tivesse papel e caneta e se a coreana não tivesse pedido por um no minuto em que ele pareceu, mesmo sem saber quem ele era.

Ela me mostrou o autógrafo do “albino do Código Da Vinci”.

Quando o Leonardo DiCapriu apareceu, eu fui pressionada contra a grade e comecei a gritar “quero sair daquiiiiii! eu odeio esse moço!!”

Fugi quando ele chegou bem pertinho. “Não quero autógrafos de quem não ganha Oscar…”

Saí de lá para ligar imediatamente para a Lucila, a Marina e a minha mãe. Que noite para lembrar…

E tem gente que reclama que smartphone te escraviza. Se eu tivesse um iPhone na época eu tinha feito um selfie com o Paulzinho. Mas não. Tudo o que tenho é uma foto tremida…

Fica a lição.

Longa amizade

Sabe como eu falei no post anterior que às vezes falta inspiração?

Pois é para esses momentos de dificuldade que existem os amigos e hoje o post é da Lucila.

Aliás, tô aceitando outros blogueiros convidados… Fica a dica!

E aí vai o post! (fotos, com comentários, by me)

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Olá a todos,

Como vocês vão perceber, esse post não foi escrito pela Lais. Quem escreve hoje é a Lucila, amiga da Lais. Mas por que eu estou escrevendo hoje?

Como vocês sabem, a Lais está participando do ‘Blog Every Day April’, que pressupõe um post novo por dia no blog. Como ela mesma diz, é difícil achar inspiração para escrever todo dia sobre um assunto novo.

Como eu super torço para que a Lais atinja seu sonho de virar blogueira famosa, ganhando rios de dinheiro (afinal, blogueira famosa vira ~celebridade~ e celebridades têm entourages *wink, wink, nudge, nudge*), me ofereci para contribuir à causa com um post. A data escolhida foi hoje, dia 11.

Por quê? Se vocês não sabem porque, shame on you! É porque hoje é aniversário da Lais e no dia dela ela não deveria precisar se preocupar em ter inspiração para escrever um post!

Então, primeiramente, vamos lá. Juntem-se a mim para desejar um maravilhoso aniversário à Lais:

FELIZ ANIVERSÁRIO, LAIS! [Insiram demais votos de felicidades aqui porque eu A. não tenho criatividade para essas coisas e B. já estou escrevendo um post inteiro sobre a Lais e seu aniversário, então, né, façam sua parte. Ou vocês querem que eu faça tudo para vocês? ]

A Lais sugeriu que eu escrevesse sobre uma história engraçada da nossa amizade. Fiquei muito tempo pensando sobre qual poderia escrever aqui e percebi que não conseguiria escolher somente uma. Se, como diz a expressão popular*, “Cada mergulho é um flash”, cada história nossa é digna de um flash (às vezes literalmente!), então seria injusto escolher só uma para contar para vocês hoje.

Eu não lembro exatamente como nos conhecemos. Sei que foi no módulo de física (entendedores entenderão) sobre astrofísica e ACHO que foi porque estávamos sentadas perto e o professor tinha pedido para formarmos um grupo. Nós éramos de turmas diferentes na escola e eu estava um ano na frente, então, se não fosse pelo módulo, talvez nunca tivéssemos nos conhecido. Minha vida certamente teria sido muito diferente se não tivesse a Lais como amiga.

Enquanto estávamos na escola, criamos o hábito de escrever cartas uma pra outra todos os dias. O conteúdo era completamente mundano: comentários sobre as aulas, séries que tínhamos assistido e outras coisas do dia-a-dia. De vez em quando, a carta vinha acompanhada de um fanfic ou ilustrada com um desenho. Ainda tenho tudo guardado numa caixa em casa.

O mais legal de rever essas cartas é perceber que muito pouca coisa mudou nesses mais de dez anos desde o módulo de astrofísica. Eu continuo tendo obsessões absurdas por homens fora do meu alcance e a Lais continua sendo a voz da razão nessas situações. Porém, o fato de que pouco mudou é prova de que nossa amizade sempre foi muito grande e que assim continua.

Mas não sou só eu que tenho obsessões. Não.

Ainda que não seja no mesmo nível que eu, a Lais também tem seus momentos de fangirl. Um dia, muitos anos atrás, estava saindo do trabalho quando recebi uma ligação internacional. Era ela, de Londres, me dizendo que tinha visto Paul Bettany ao vivo numa pré-estreia de filme! Hoje em dia eu recebo links e mensagens comentando sobre como o James Morton é lindinho e o Benedict Cumberbatch é fofíssimo.

MAS NÃO É??? OLHA ESSE HOMEM LINDO!!!!!!!!

E é assim que os últimos dez anos têm sido, compartilhando obsessões, risadas, diversões, causos e fofocas. Também já passamos por um bocado de perrengues, aqui e no exterior, mas nada tão grave que não tenha virado uma ótima história de viagem depois. Na verdade, acho que é justamente porque passamos por essas coisas juntas que somos capazes de depois olhar para trás e dar risada. E como damos risada!

Eu sei que, independente do rumo que cada uma tomar, continuaremos sempre próximas (obrigada, internet!) e que muitos momentos memoráveis ainda estão por vir <3

Lais, espero que tenha um ótimo aniversário e um maravilhoso 28º ano de existência. Mano, tamo junto para comemorar os próximos 28 e os 28 seguintes.

Beijos,

Lucila

*Originária de uma novela cujo nome eu não lembro. Só lembro que a moça em questão mergulhava no Piscinão de Ramos e morava na laje.

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Obrigada, Lucila!!!

Aliás, obrigada também por me dar a inspiração para o próximo post. Conto essa história sobre o dia que “conheci” o Paul Bettany amanhã.

Naquela época eu não tinha blog para contar as minhas aventuras… Ahh quanto vocês perderam. E quanto potencial de influência eu perdi por não ter começado isso antes…

Enfim, até amanhã!

Inspiração?

Dizem que quem precisa de inspiração para escrever não tem talento. E eu concordo. Mas é exatamente essa a desculpa que vou dar para não ter postado nada nos dois últimos dias.

Acontece que essa arte de escrever é tipo correr, se exercitar. Se faz um tempão que você não escreve nada, vai ter dificuldade. Aliás, esse é exatamente o motivo pelo qual eu criei esse blog. Achei que ficaria difícil escrever fora do lide jornalístico se jamais tivesse um espaço para aliviar as besteiras que pipocam na minha cabeça.

Por isso inspiração não é necessário. Basta exercitar.

Quando participei do NaNoWriMo deu pra ver bem isso… Quando mais você se força a escrever, mais a coisa sai.

Mas é bem verdade também que quando você não é escrava da inspiração, mas escrava de um compromisso que nem sempre dá prazer em cumprir, o resultado não é dos melhores. E eu realmente não queria publicar textos idiotas aqui só porque disse que iria publicar todos os dias em abril.

Quero ser livre.

Não se preocupem. Continuo no Blog Every Day April. Amanhã já tem post programado e tem mais uns 4 ou 5 assuntos que eu tenho certeza de que quero falar por aqui ainda esse mês. Mas eu me reservo ao direito de pular um dia ou dois se o Homem de Ferro precisar resgatar a Cinderella, ok?

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Querida Lais de 17 anos

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Querida Lais de 17 anos,

Tudo bem com você? Como estão as coisas?

Se bem me lembro, não muito bem. Você não passou na faculdade que queria e detestou o cursinho. Você deve estar se sentindo uma porcaria e está passando seus dias assistindo a E!, Oprah e fazendo aulas de francês, certo?

Por isso mesmo acho esse um bom momento para conversarmos. Estou aqui prestes a fazer 28 anos. Você completará 18 daqui a alguns dias. Não quer saber o que te aguarda?

Primeiro quero te parabenizar. Nem é porque é o dia do jornalista não. É porque você fez muita coisa legal nesses últimos 10 anos. Tem vários motivos para se orgulhar.

Aproveite e parabenize você a Lais de 7 anos também. Que belo caminho traçamos, as três. Espero que a Lais de 37 anos ache o mesmo de mim.

Enfim, fico feliz de olhar para você e perceber que nos mantivemos fiéis ao que acreditamos. Para você, assim como para mim, o mais importante é adquirir conhecimento e se manter leal aos amigos. Essa nossa certeza de que não há caminho mais correto nos apresentou pessoas muito especiais que ainda estão por aqui. E nos equipou para desafios que com certeza ainda virão.

Parabéns por ter feito amizade com gente tão bacana no colégio. Parabéns por valorizar as pessoas certas e descartar as que não valiam a pena.

Você vai ficar feliz em saber que ainda é muito amiga da Lucila. Você a visitou no exterior duas vezes e viajam juntas sempre que podem. A amizade com ela também colocou a Fê e a Dani na sua vida e aqui elas continuam.

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A sua amizade com o “pessoal do Rainha” também continua. E, embora alguns tenham casado, se mudado para outros países e mudado de vida completamente, vocês se falam todos os dias e se encontram sempre que possível. Vai ser legal olhar para todos nós no futuro e afirmar que crescemos juntos.

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Algumas amizades que você fez nos últimos meses também se mantiveram. O “pessoal da SET”, que você conheceu há alguns meses, continua se falando, discutindo cinema, séries e livros.

A sua amizade com eles, aliás, é motivo para que eu também te agradeça. Obrigada por não ter vergonha de assumir as coisas que você gosta. Obrigada por abraçar seu lado nerd, mesmo que isso não te fizesse mais popular (quem liga pra isso, não é?). Harry Potter, cinema e musicais te abriram muitos corações e deram a chave do seu para muitas outras pessoas.

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Não se preocupe com os próximos 10 anos. De verdade. Todas essas pessoas estarão do seu lado. E, sério mesmo? Você nem terá tantos desafios assim.

Corações partidos? Claro. Tiveram alguns. Mas você lidou com eles de maneira tão excepcional que eu não poderia te dar nenhum conselho nesse sentido. Arrasamos. Você vai ficar feliz em saber que teve maturidade e bom senso para não cortar ninguém da sua vida por causa de rejeições. E alguns que “partiram seu coração” continuam seus amigos. Afinal é isso que a gente valoriza, não é?

Sinto dizer, entretanto, que as suas decepções virão de onde você menos espera: da sua escolha profissional.

Pois é. Justamente por isso escolhi o dia do jornalista para te escrever essa carta.

A gente sabe desde muito cedo o que quer da vida, não é? E trabalhamos juntas para isso. Mas as coisas não acontecem conforme planejamos…

Se eu acho que você deve aproveitar esse aviso amigo e fazer outra faculdade? De jeito nenhum.

A gente vai sofrer, mas eu não iria te privar das experiências que tive nesses últimos 10 anos.

A faculdade foi chata (e um tanto inútil), mas te apresentou pessoas maravilhosas.

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Seu estágio no Jornal da Tarde também foi incrível e, apesar de sua passagem pelo Grupo Estado ter provocado um bocado de lágrimas, os sorrisos com certeza foram mais frequentes.

Se eu pudesse te dar um conselho nesse quesito é começar o blog mais cedo. Não só o blog. Cria lá pra 2008 um canal no YouTube. Vai que a gente consegue fama e dinheiro, né? E não precisa ser nada muito elaborado, viu? Tem uma mulher que faz sucesso abrindo Kinder Ovo!

Se você puder começar isso o quanto antes, ótimo. Se não, nos vemos nessa pobreza mesmo daqui a 10 anos…

Mas é isso, cara. Parabéns e muito obrigada. Prometo ser, nos próximos 10 anos, uma Lais tão legal quanto você foi nos últimos 10.

Vamos colorir?

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Quando eu estava na faculdade descobri que uma das maneiras de me manter acordada durante as aulas (principalmente durante as aulas na Filosofia, que eram a noite) era colorir.

Comprei uns três livros de colorir desses de 1 real e um jogo de canetinhas e passava todas as aulas pintando cães sorridentes, árvores pouco verossímeis e flores infantis.

Colorir é terapêutico.

E me incomoda que parece que bastou alguém colocar um selo de “para adultos” num livro de colorir para isso ser respeitado.

Sabe o que é pior? Não é como se você pintasse seu livro de colorir “para adultos” dentro do metrô, em uma praça pública… Não… Você pinta na privacidade da sua própria casa.

Por quê? Por que é tão difícil admitir que as coisas que a gente fazia quando criança tinham sua validade e podem muito bem continuar pro resto da vida?

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Vou pedir licença para entrar num feminist rant aqui. Porque eu acho que isso é uma coisa de nós mulheres. Essa vergonha em ser criança. Essa necessidade de crescer.

Homens de 50 anos trocavam figurinhas com crianças de 10 anos sem pudores. Videogames e quadrinhos são vendidos para adultos sem discriminação. Bonequinhos, sabres de luz…

Nós mulheres não temos esse direito? Por que dizemos que o cara “é criança”. E o que tem de tão legal em ser o adulto responsável pela “criança”?

Legal mesmo é ser criança junto. E se as nossas brincadeiras fossem menos em torno do “cuidar” quem sabe a gente não iria se permitir colorir um Almanacão da Turma da Mônica de vez em quando. E em público.

Aproveitem as suas coleções de lápis de cor sem pudores…

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