Lanchão em Pemberley

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É uma verdade universalmente conhecida que minha vida é pautada por referências a filmes, livros e séries.

Por isso, quando a Lucila resolveu que viria me visitar, alguns destinos na Inglaterra pareciam obrigatórios. O primeiro deles foi Bletchley Park, onde um grupo de especialistas ingleses (entre eles o Alan Turing) decifraram o código alemão durante a Segunda Guerra. Quem assistiu a The Imitation Game deve se lembrar – E o passeio vale muito, muito, muito a pena.

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Mas um dos destinos que eu estava mais animada para visitar era Pemberley. Bom, não exatamente Pemberley, mas Chatsworth House.

A casa, onde vivem o Duque e a Duquesa de Devonshire, serviu de locação para o filme Orgulho e Preconceito de 2005. Encontraria o Mr. Darcy na Pemberley da vida real?

O que encontrei foi um Mr. Darcy tão real quando Pemberley:

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A estátua, também usada no filme.

Bom, a visita a Chatsworth dá direito à entrada para os jardins, o passeio pela casa e um típico chá da tarde inglês.

Começamos pela casa.

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Como o Natal se aproxima, a casa estava toda decorada e um mercado de Natal estava acontecendo na área externa da propriedade.

E, acho que justamente por causa disso, o rolê estava bem cheio. Todo mundo fazendo fila para ver a casa decorada para o Natal, entrar no clima…

E tudo o que a casa tinha de bonita e incrível por fora, por dentro ela era… Bom…

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Um monumento ao mau gosto

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Se Elizabeth Bennet tivesse entrado nessa Pemberley, confirmaria todo o preconceito que tinha contra o Mr. Darcy.

Mas, meus amigos, ainda bem que a natureza não tem decorador. Os jardins de Pemberley, esses sim, valem a pena.

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E ainda tinha uma fazendinha, onde a Lucila viu um Porquinho da Índia pela primeira vez:

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E depois de um dia admirando a possibilidade de viver na era regencial, fomos participar daquela tradição que todo mundo associa ao povo britânico: o chá da tarde.

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O lanchão vem com uma bebida quente (a Lucila pediu chocolate quente e eu, claro, pedi chá) e uma pequena coleção de comidinhas.

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Parecia coisa da realeza. Pena que não teve nada de nobre na nossa volta, pegando um ônibus lotado, um trem e um táxi de volta pra casa… E no dia seguinte ainda teve o desastre Gilmore Girls.

Pois é. É uma verdade universalmente conhecida que quem nasceu para ser lanchão jamais será chá da tarde.

Quermesse na gringa?

Cheguei aqui meio que junto com o frio. Mas aquele frio de outono, o que significa que é quase a mesma coisa que um frio de inverno em São Paulo.

Eu amo o frio. Mas sabe o que estava faltando? Uma quermesse! Porque, sério, não tem a mesma graça sentir um vento gelado na cara sem um quentão pra acompanhar ou a cara suja de mostarda do cachorro quente.

Loughborough tem sido muito boa pra mim, porque sempre que eu sinto um apertozinho no coração ela me presenteia com uma visita de amigos, um dia divertido com os meninos com quem moro ou UMA QUERMESSE!!!!!

 

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Claro que não é uma quermesse, quermesse e que faltaram muitas coisas (saudades quentão), mas deu pro gasto!

A Loughborough Fair é tipo um parque de diversões daqueles de bairro tosco com umas barracas de comida.

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Matei a vontade do cachorro-quente, o que é um avanço (e esse era com salsichão alemão, o que não é nada mal) e me diverti horrores.

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A “quermesse” aconteceu de quarta a sábado e, como admiradora de quermesses que sou, fui o maior número de vezes possível. Primeiro com as meninas do meu curso e depois com os meninos que moram comigo e os amigos deles.

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Como disse, o forte da feira não é bem a gastronomia. O que pega mesmo são os brinquedos. E, mesmo sendo uma cidade pequena, Loughborough não desapontou.

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Coisas que giram, que pulam, que sobem, que descem… Tudo no espaço das 4 ruas principais da cidade. Ahh e as lojas não pararam de funcionar nesses quatro dias de curtição…

Além dos brinquedos tinha também as barracas de coisas tipo “tiro ao alvo”, “pescaria”, “cartola”… Só que versão gringa, claro.

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E os prêmios também eram versão gringa… Tipo esse bichinho do aspirador de pó (????) mais querido da Inglaterra, o Henry Hoover.

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Deu pro gasto, mas nada se compara às maravilhas gastronômicas da Quermesse do Calvário ou da onda de nostalgia que encontro na festa junina do Rainha da Paz.

Até porque, a maior promessa dessa quermesse gringa, segundo meus amigos daqui, eram os donuts fritos na hora…

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Mas que decepção… Murchos e oleosos…

Inglaterra, você tem muitas coisas boas, mas ainda tem muito o que aprender com as quermesses brasileiras. Fico com os churros, ok?

Kitchen Nightmares da Masterchef

Eu tenho uma preguiça enorme de comida. Não parece, né? Mas tenho.

Com certeza é por causa dessa preguiça enorme que recorro a coisas pouco saudáveis quando a fome bate e a preguiça continua. Eu tenho preguiça de escolher o que comer, de parar de fazer o que estou fazendo para comer e, principalmente, de cozinhar.

E o que fazer quando você passa a morar sozinha em um país onde não reconhece nem as marcas dos congelados?

Bom, a gente tenta, né?

Sei fazer umas 3 coisas (macarrão, couve-de-bruxelas que minha mãe ensinou e um frango grelhado). E minhas refeições têm sido variações disso aí intercaladas com saladas e visitas a restaurantes.

Mas, posso falar? Mesmo com toda a minha preguiça e toda a minha zero aptidão para o negócio, ainda não fiz nada que tenha ficado intragável.

Acho que isso se deve a ter ASMR.  Por causa dessa sensação maravilhosa passei muitas tardes assistindo à Palmirinha e derivados.

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Claro que eu me identificava mais com o Guinho, né amiguinhas?

Assistir à Palmirinha pode não ter me dado muito gosto pela culinária, mas pelo menos me deu o mínimo de bom senso. Sei o que é refogar alguma coisa, sei ponto de brigadeiro e sei mais ou menos a cara que as coisas devem ter.

E, na dúvida…

Esse post é mais pra pedir as dicas de vocês na cozinha. Tem um prato rapidinho de fazer que até eu consigo deixar gostoso? Manda aí! E aquele truque pra deixar o frango macio, a carne temperadinha e o arroz soltinho? Quero também.

Sério, preciso de socorro.

Orkutização da vida

dsc_0011Fiz muitos amigos pelo Orkut. Amigos que ainda carrego comigo, que vi casarem, terem filhos, mudarem de país… Foram amigos que fiz em algumas das muitas comunidades das quais participava. E quando o Orkut virou uma favela virtual, lamentei que, no Facebook, essa ideia de reunir pessoas com o mesmo interesse em um mesmo espaço tenha se perdido.

Mas o que é a vida se não uma grande rede social sem telas?

E, nessa rede social chamada vida, a minha universidade oferece, basicamente, as comunidades do antigo orkut.

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São as chamadas “Societies”. E tem várias. Tipo Cocktail, Human vs. Zombie, Recreational Running, Tuxedo Swing…

A ideia é que você olhe aí o que te interessa, pague uma módica taxa para fazer parte da sociedade (coisa em torno de 5 libras o ano) e pronto, faz amigos.

Para você experimentar cada uma das sociedades e ver qualéqueé, a universidade organizou um feirão da amizade (como eu estou chamando), em que você ia lá, conversava com os representantes de cada uma, colocava seu nominho e e-mail e ficava sabendo quando seria a primeira reunião pra você sentir o clima da “comu” (sdds, orkut).

Claro que eu já fui pro feirão da amizade com um foco. O primeiro era a Flix Cinema society, que faz exibições de filmes por preços baratinhos.

Mas meu segundo foco… Ahh meu segundo foco é uma paixão que ainda não deixou meu corpinho, mesmo depois de UMA MERDA DE UMA PEÇA DIVIDIDA EM DUAS PARTES e UMA PALHAÇADA DE FILME QUE SE PASSA NOS EUA QUE TAMBÉM SERÁ DIVIDIDO EM PARTES PARA DAR MAIS DINHEIRO À IMBECIL QUE NÃO CALA A BOCA NO TWITTER: Harry Potter.

Veja bem, como muita gente, eu cresci com Harry Potter. Li o primeiro livro aos 12 anos e o último aos 20. Fui em lançamentos à meia-noite, fiquei horas na fila do cinema pra ver os filmes, fui em eventos… Mas, mais importante, fiz amizades por causa da Harry Potter.

Harry Potter pode ser visto apenas como uma mina de ouro pela JK “Bicha, pague meu dinheiro” Rowling, mas foi uma série que moldou muita gente com caráter, receptiva e divertida. Jamais me decepcionei com um fã de Harry Potter.

Por isso, se tinha uma sociedade com potencial para me render amigos, essa sociedade era a “Harry Potter e Quadribol”.

Primeiramente, sim, quadribol é um esporte que existe, as pessoas jogam mesmo e tem time brasileiro inclusive que tentou ir pra copa do mundo. As pessoas que jogam quadribol aqui em Loughborough são parte da seleção inglesa de quadribol.

Você pode jogar quadribol e não gostar de Harry Potter.

Mas, Lais, como se joga quadribol?

Como é no livro, oras! Você tem três arcos da cada um dos lados do campo e, montado em vassouras, precisa atirar uma bola no meio de um desses arcos para marcar um gol que vale 10 pontos.

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Enquanto isso, pessoas ficam atirando bolas em você. Se você for atingido, você precisa desmontar da vassoura, o que significa que você está “fora” por um tempo e não pode tocar na bola.

Lá pro meio do jogo, introduzem o pomo.

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O pomo é um cara vestido de amarelo com uma bolinha pendurada na bunda. O objetivo é pegar a bolinha, o que dá a seu time 30 pontos. Mas o pomo pode revidar, te derrubar no chão e ferrar com a sua vida.

E é por isso que eu não tenho interesse nenhum em jogar quadribol. Sou Corvinal, queridos. Minha vida são os livros.

Mas a parte Harry Potter da sociedade? Tamo junto.

O primeiro evento da sociedade Harry Potter que fui foi um rolê para conhecer pessoas novas, jogar jogos inspirados em Harry Potter e ser feliz.

E, claro, você podia ir de fantasia.

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Tipo esse cara vestido de Dobby.

Mas o presidente da sociedade costuma ir de Dumbledore.

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Mas o resultado de tudo isso, minha gente?

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AMIZADES!

(Eu era o Snape).

Mas, cara, se Harry Potter não é pra você, tudo bem. Tem tanta coisa pra escolher.

Esse final de semana teve, por exemplo, o encontro da sociedade do frisbee e dos baloeiros. Tudo no mesmo lugar.

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E se, mesmo assim, sociedades não for muito a sua praia, você pode só participar de eventos nada a ver. Tipo dar confirmar em evento no Facebook e só ficar assistindo as tretas.

Domingo eu fui assistir meu flatmate participar de uma corrida/holi, em que as pessoas corriam e em determinados momentos levavam tinta na cara.

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Enfim, tem pra todos os gostos. Basta apertar “confirmar” nesse lindo evento chamado vida. E se conectar com as pessoas.

Curtiram esse post?

Questão de tempo

Tudo é questão de tempo.

O início do tempo, primeiramente, já que estou vivendo quase que dentro de The Big Bang Theory.

Meus flatmates, todos de áreas que exigem muito mais inteligência do que comunicação (engenharia elétrica, química e física), são versões melhoradas do Raj. Claro que eu não sou a Penny. Estou bem mais para uma Amy Farah Fawler.

Fui acolhida por eles, que me chamam para almoçar, jantar, sair e me ensinam a usar o sistema da universidade, os atalhos para a cidade e me incentivam a pegar coisas grátis, mesmo que eu não vá usar nenhum dos panfletos, canetas ou livros do novo testamento que distribuem por aí.

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Outra questão de tempo é o tempo imobilizado de Bernardo e Seu Relógio. Pois também parece que vivo dentro dessa série.

Vocês lembram dessa série? Era uma série ridícula do Discobery Kids em que um menino, o Bernardo, tinha um relógio que podia parar o tempo. Se tratando do Discovery Kids, claro que Bernardo parava o tempo para impedir que uma pessoa molhasse a outra enquanto regava o jardim, em vez de usar o artefato para o que realmente importa, tipo roubar um banco.

As casinhas aqui do bairro parecem muito onde Bernardo e a amiguinha Karen moravam.

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O tempo, aquele que tem relação com o clima, também é uma questão. É outono. E que beleza que é ver o verde perdendo seu espaço para o dourado.

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O fato é que muita coisa tem contribuído para eu, com o tempo, me sentir confortável nesse mar de novidades. É tudo uma questão de tempo, afinal.

 

Ahh e eu prometo voltar aqui na segunda-feira para contar da minha aventura no mundo das sociedades da Universidade e do quadribol competitivo.

Mudou tudo! Até o Facebook!

Já escrevi aqui sobre como as mudanças são difíceis pra mim. É uma tortura só. Um luto mesmo, até porque eu não sou uma pessoa muito nostálgica então eu sei que quando a coisa muda, ela muda pra nunca mais ser a mesma.

Pois bem. Mudei. Mudei de apartamento, de cidade, de país. Meio que mudei de profissão, de situação familiar, de celular… Até meu Facebook mudou. Antes ele tinha um globinho assim:

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E agora é assim:

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Queria estudar fora há muito tempo. Desde que me formei procurava cursos, bolsas de estudos e me preparava para fazer um mestrado no exterior. Mesmo assim, aceitar essa nova vida foi difícil.

Cheguei ontem na cidade de Loughborough, na Inglaterra, onde vou passar o próximo ano fazendo um mestrado em Digital Media and Society. Minhas aulas não começaram ainda, mas tenho certeza de que terei histórias de coleguinhas amalucados para contar por aqui.

Por enquanto, falemos das pessoas amalucadas que deixei para trás.

Como queria poder colocar todo mundo num potinho e trazer comigo. Queria que todo mundo morasse em Loughborough, no mesmo prédio que eu. Ou, que existisse teletransporte e eu pudesse aparatar em São Paulo todos os dias e aparatar aqui de novo.

Mas a vida não é fácil, né? E as mudanças continuam acontecendo. E para a gente crescer, se desenvolver, melhorar, elas às vezes são assim drásticas.

Sem potinhos de pessoas, coloquei uma vida em duas malas (que erro) e parti.

Voei até Londres de Royal Air Maroc, uma companhia não muito elogiada nas internets. Estava preparada para o pior e, como tudo ocorreu bem, minha jornada foi sensacional. Fica a dica: o ideal nessa vida é ser pessimista mesmo. Aí as coisas sempre são melhores do que se espera.

Sentei ao lado de um “terapeuta de mandala” (um cara que faz terapia com mandala, não que faz terapias EM mandalas) que estava conversando com um italiano completamente fora do normal.

O cara parecia um músico desses da Av. Paulista (inclusive, não duvido que seja). Sentou num lugar errado porque o dele estava com a tevezinha quebrada. Quando perguntei o que tinha de errado e se ele queria sentar perto do cara da mandala ele disse que o problema eram as ondas de energia do Atlântico, que poderiam sugá-lo, já que ele não era uma forma de vida comum.

Quando chegaram as meninas donas do lugar em que ele estava ele deixa uma CUECA no assento. Sério.

O cara ainda trocava de português para inglês e de inglês para italiano sem motivo aparente. No aeroporto a moça fala pra ele “Não falo italiano, senhor”.

Enfim, do aeroporto peguei um trem para St. Pancras e depois mais um trem até aqui. Carregar as malas foi a pior parte. Mas cá estou. No fim deu certo.

A residência é dividida em flats, cada flat tem uma cozinha e salinha. No meu flat tem só meninos, todos de exatas.

Com o tempo vou me acostumando, conhecendo os outros membros da Grifinória e me adaptando à cidade.

Cidade, aliás, que é uma gracinha.

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Pequenina (tem 60 mil habitantes), mas uma graça. Já achei o supermercado e o cinema, então sobreviver eu consigo!

E com essas mudanças todas ainda terei muito o que contar… Pelo menos assim o blog volta a ser atualizado.

Carta de amor

Querido,

Sei que nossa relação anda estremecida. Faz tempo que você deixou de confiar em mim e eu, confesso, quero esbravejar por aí que você é ignorante por preferir acreditar nas mentiras e teorias da conspiração publicadas no Facebook.

Não sei o que aconteceu. Poderia culpar a Dilma. Poderia dizer que é tudo culpa da crise e da instabilidade econômica. Usar uma dessas desculpas que todo mundo usa.

Mas, dizem que a culpa é da internet. Dizem que já que você pode dar uma olhadinha em todas as outras fontes por aí você começou a questionar nossa relação. Eu não sou mais única na sua vida.

É verdade, querido? Faz sentido. Mas não pode ser.

A nossa relação não melhorou desde que também entrei para o mundo digital e para as redes sociais? Não é muito mais gostoso poder falar comigo como você fala com aquele amigo de escola? Não é agradável saber o que me anima em tempo real? E quando eu te conto, segundos depois, o que está acontecendo na Rússia? Não é magnífico?

É fato que, desde que a internet entrou em nossas vidas, você paga menos coisas para mim. Trata a nossa relação como se fosse uma obrigação da minha parte. Estou prestando um serviço a você, mas você se esquece de que, para que eu sobreviva, dependo de sua ajuda.

Também me incomoda o modo como você escolhe acreditar em algumas coisas que eu digo e desmentir outras. Acredito que você é livre para acreditar em quem quiser e tomar as suas próprias decisões. Quando digo algo com o qual você não concorda não estou tentando “te manipular”.

Eu erro, querido. Não sou perfeita. Reconheço que raramente admito que errei, mas garanto que faço o possível (e o impossível) para te contar coisas verdadeiras, histórias bonitas, fazer denúncias e mudar o seu dia. Sei que a nossa relação depende disso. Meu sustento depende disso.

Desculpa. Eu não deveria te ver apenas como meu sustento, né? Não deveria olhar para você apenas como alguém capaz de ler, escutar, assistir ao que falo. Você é muito mais do que isso!

Você consegue me ver também como alguém importante na sua vida? Espero que sim.

Querido, faz tempo que precisamos discutir a nossa relação. Eu preciso aprender a te escutar… Não só isso. Eu preciso aprender a responder ao que você me fala. Costumo ignorar aqueles comentários que você faz em minhas notícias. Acho a grande maioria deles preconceituoso, problemático, inflamado demais…

Mas, como posso me gabar de ser sua voz, de trazer a público suas denúncias, direitos e histórias se nem ao menos respeito a sua opinião? Você é teimoso e preguiçoso, mas esses são defeitos que eu também tenho.

Querido, quero terminar essa carta com um pedido de reconciliação. Vamos combinar que, daqui pra frente, a gente vai se respeitar mais?

A partir de hoje, você, meu querido leitor, vai ler minhas matérias com mais atenção e, quando desconfiar do que digo, vai buscar outras fontes (e ler tudo com o mesmo interesse e coração aberto), para tirar as suas próprias conclusões.

Eu, a imprensa, prometo que vou te dar mais atenção. Prometo que vou conversar com você, responder a seus questionamentos e tentar te fazer entender aquilo que quero dizer.

Quem sabe assim a gente não se acerta? Nossa relação é tão longa e bonita. Eu dependo de você, mas você também ganha muito com a minha presença em sua vida. Admita, vai…

Quero estar com você quando acorda… Quando você chega em casa depois de um dia longo de trabalho e relaxa no sofá. Quero participar de suas decisões mais importantes…

Vamos colocar as desconfianças e preconceitos no passado e começar de novo?

Da eternamente sua,

Imprensa

*A autora deste blog não tem a menor pretensão de responder por toda a imprensa brasileira. E nem acredita que essa relação vá mudar tão cedo. Mas ficam aqui os votos para que mude.

**Publiquei o texto também no Medium, onde quero escrever mais textos relacionados a jornalismo. Se você se interessa por isso, me segue lá: https://medium.com/@laiscattassini