Filmes de Natal

December 24, 2011

Recentemente eu fiz mais uma lista antipática para o site do Léo Disney, dessa vez sobre os 10 piores filmes de Natal.

Mesmo estando muito bem preparada quanto aos filmes que evitar nessa e em qualquer época do ano, a minha lista de bons filmes para Natal continua bem curtinha.

Como muita gente me pediu, resolvi colocar aqui a minha pequena lista de filmes natalinos que poderia ficar assistindo hoje, amanhã e pelo resto do ano.

4- Esqueceram de Mim

Eu tinha tudo para odiar esse filme. Mas é uma questão de tradição.

Foram tantos anos assistindo a Esqueceram de Mim na véspera de Natal que não dá para não associar essa data a esse filme.

Mas não é? Porque, sinceramente, não tem personagens mais imbecis do que os personagens desse filme. Só o Kevin se salva, claro, porque fica sozinho em casa e se livra de não só um, mas dois ladrões. Agora, todos os adultos são ridículos.

Os pais do Kevins… Jesus.

O problema não é só eles terem esquecido do FILHO deles. Mas eu também sempre achei um absurdo que ficam os dois na primeira classe enquanto os filhos estão lá na classe econômica, sofrendo. Gente, colocassem todos na classe executiva, minimamente, né?

Fora tudo o que eles são negligentes com essas crianças…

Mas, de qualquer forma, é um ótimo filme de Natal!

3 – Esqueceram de Mim 2

Nessa continuação de Esqueceram de Mim eu até perdoo os pais dele. Eles tentam não esquecer a criança. Claro que o mundo está cheio de boas intenções e eles esquecem o filho no final, mas pelo menos, dessa vez, todos vão atrás do Kevin e não só a mãe dele.

E, sabe, só por esse trailer você vê que a relação mais significativa que o Kevin tem com um adulto é com esses dois bandidos que o perseguem.

Bom, mas por que eu gosto mais de Esqueceram de Mim 2 do que o primeiro?

Esse tem o verdadeiro espírito do Natal: presentes.

Só o fato de mostrar lá a loja de brinquedos que os bandidos pretendem assaltar já é suficiente. Eu sempre gostava disso quando era criança.

E tem a história da mendiga e o momento em que eles vão assistir a uma apresentação da orquestra… Acho digno.

Fora que nesse filme o Kevin está muito mais violento. Nada de escorregões e vidro quebrado. Ele pega pesado com querosene e bolas de boliche. Acho super válido.

2 – A Felicidade Não se Compra

Esse filme não é tanto pela tradição. Eu só fui assistir a ele bem mais velha…

Mas é um filme obrigatório. De verdade.

Se você nunca viu, por favor, alugue, baixe ou peça emprestado para mim.

Muitas séries (desenhos especialmente), fizeram suas versões dessa história clássica.

E a história é o seguinte: George Bailey sempre quis sair da cidadezinha onde morava, mas nunca conseguiu. Foi obrigado a tocar o negócio do pai, que ajudava as pessoas pobres a construir suas casas.

Um dia a empresa do George perde muito dinheiro e, desesperado, ele tenta se matar. Mas um anjo o salva e mostra como a cidade seria se ele não tivesse nascido.

É um filme “adorável”. E eu sempre choro no final. Não chorar assim de me acabar em lágrimas, mas de meus olhos lacrimejarem e eu pensar “ohnnn”.

1 – Simplesmente Amor

Eu adoro esse filme. Teve uma época em que eu assistia a ele o tempo todo. A ponto de decorar falas.

Quando eu fui pra Londres eu fui a tonta que foi a algumas das locações.

Essa, por exemplo, é a rua em que a Keira Knigthley mora e onde ela corre para beijar o melhor amigo do marido (vagabunda). Eu quero morar nessa rua um dia. É o lugar mais fofo de Londres, no meio de Notting Hill.

E esse filme tem de tudo. É um ótimo exemplo de histórias múltiplas bem contadas (diferentemente de filmes HORRÍVEIS como aquele Valentine’s Day ou o mais recente Noite de Ano Novo… Affff).

Enfim. Depois de fazer essa lista mais do que deliciosa para vocês (considerem esse o meu presente de Natal para alguns), desejo a todos um Feliz Natal, boas festas, feliz Festivus e por aí vai!


Caridades

December 18, 2011

Não sei se vocês já perceberam como o mundo é um grande porcaria.

Não falo sobre como as coisas não funcionam, ou sobre como as pessoas são ruins (não apenas sobre isso, pelo menos), mas sobre como há desigualdade.

Acontece que, enquanto eu estou aqui, confortável, escrevendo no meu computador e assistindo a TV a cabo tem gente do outro lado do mundo sem água limpa, sem um teto, sem comida…

Eu não sou a pessoa mais sensível do mundo e a minha intenção com esse blog nunca foi mostrar para vocês o quanto precisamos mudar o mundo. Aliás, nunca tive essa pretensão.

Mas pare um minuto para pensar no que é não ter água limpa. No que é não ter o que comer. No que é não ter nada. Absolutamente nada. Nem mesmo o amanhã.

Bom, o Natal está chegando e enquanto a gente está comprando presentes essas pessoas às vezes longe, às vezes tão perto, continuam sem nada.

Que tal então fazer hoje, só hoje, um pouquinho para tentar mudar o mundo?

Os Vlogbrothers, que vocês devem conhecer do YouTube (e se não conhecem, deveriam), criaram o Project 4 Awesome. O que acontece é que em um dia por ano as pessoas que fazem vídeos no YouTube promovem um projeto de caridade, fazem leilões e tentam mudar a realidade de alguém.

O que eu acho legal desse projeto é que, até porque está movimentando uma comunidade inteira, você não precisa doar muito. Um pouquinho só já ajuda. Nem doar precisa. Basta favoritar alguns dos vídeos que estão relacionados ao projeto e essas pessoas que ganham para fazer vídeos ganham mais dinheiro para eles próprios doarem.

Você pode escolher uma instituição ou doar para o projeto e eles vão distribuir o dinheiro para as instituições mais votadas. Tem coisa do mundo inteiro e eu acho que vale a pena dar uma olhada no site: http://www.projectforawesome.com/

Eu doei (e comprei um texto do John Green, que é autor de excelentes livros) e fiz a minha parte!

Será que assim convenci alguém a ajudar também?


Fama e anonimato

December 1, 2011
Giovana tinha 10 anos quando decidiu se tornar uma chiquitita. Passava horas ensaiando as coreografias e tinha decorado todas as letras de todas as músicas. Perseguia a mãe pela cozinha cantando “As palavras só te dizem um pouquinho da verdade. Os olhares nunca mentem, falam com sinceridade. Com as mãos, os cotovelos e os pés. Mão na boca, sem palavras, adivinhe o que é”, tudo para tentá-la convencer de que tinha talento e merecia a chance de estrelar uma novela no grande canal SBT.

A mãe de Giovana não acreditava nem um pouco no talento da filha. A menina não era capaz nem ao menos de fingir gostar das meias que ganhava da avó todos os aniversários. Mas não era mais possível suportar os gritos de “bruxa, fedida! Tomara que te dê dor de barriga” toda vez que a criança lembrava de qual era seu sonho.

Para sossegar Giovanna, sua mãe a colocou no curso de teatro. A menina não seria uma chiquitita, mas pelo menos teria um espaço para extravasar toda a sua vontade de ser “artista”.

E Giovanna cresceu. Cresceu sonhando em ser a vencedora do Troféu Imprensa E do Prêmio Contigo. Tinha um canal secreto no YouTube, no qual recitava poesias, e achava que um dia seria descoberta e ganharia o VMB revelação da internet.

Ela não queria mais ser uma chiquitita, mas decorava todas as falas da novela das 8 e praticava com a irmã mais nova o dia em que jogaria a protagonista de cima de uma escada.

As ambições de Giovana eram segredo. No curso de teatro, que ela não perdia uma aula, aprendeu logo que não poderia cobiçar um papel na TV. Escola de atores Wolf Maya? Era para atores vendidos, modeletes sem talento. Malhação? Só ia pra lá quem beijava os pés da Rede Globo e era a favor “do sistema”.

Então Giovana fingia que também odiava a Globo, os protagonistas medíocres e as repetitivas Helenas. Começou a ler a Piauí e a Caros Amigos. Usava camisetas do Che Guevara e com referências a Clarice Lispector e Caio Fernando de Abreu.

Um dia, estava lendo uma revista Capricho escondida no meio de um livro velho de João Guimarães Rosa (nacionalismo pegava muito bem) quando um garoto um tanto hippie de sua turma a chamou.

- Ei! Giovana! Você também é super contra a construção de Belo Monte, né?

Giovana aprendeu que, entre eles, ela era contra tudo.

- Claro! Aquilo é um absurdo – ela colocou as aulas de interpretação em prática. Não sabia nada sobre monte belo ou monte feio.

- Então vem com a gente! Tá rolando um protesto ali no centro.

Giovana foi e encontrou um grupo de estudantes como ela, vestidos como ela, protestando. Em volta deles, câmera de TV, fotógrafos de grandes jornais e outros estudantes filmando a manifestação com seus celulares.

A menina ficou encantada com os holofotes. Incorporou a revoltada, marchou para o meio da multidão e começou a participar do coro.

- ABAIXO A REPRESSÃO! ABAIXO A REPRESSÃO – ela gritava, sem saber para o que estava gritando.

No dia seguinte, um vídeo estrelando a revoltada Giovana já havia sido compartilhado por 10 de seus amigos no Facebook.

Giovana encontrou ali um nicho, uma oportunidade.

No final de semana compareceu à manifestação para a legalização da maconha no Masp. Não fumava maconha.

- ELES NÃO PODEM TIRAR A NOSSA LIBERDADE – ela gritava, com o braço levantado. Uma imitação clara de Mel Gibson em “Coração Valente”. Giovana já sonhava com o Oscar.

Foi na manifestação contra a corrupção que a jovem atriz quase alcançou a fama. Foi entrevistada pela Rede TV para falar sobre a situação no Congresso e o aumento do salário dos vereadores.

- É um absurdo. A gente paga impostos – Giovana disse à repórter, com a boca cheia. Apesar de ter pouco mais de 20 anos, Giovana nunca havia votado. Preferia pagar multa a comparecer em sua seção eleitoral.

A entrevista foi editada. “Maldita manipulação da mídia”, justificaram os colegas.

A oportunidade de ouro veio com uma manifestação contra a Polícia Militar, na Avenida Paulista.

Giovana assistiu a um polícial levantar o braço (ele provavelmente estava cumprimentando um colega) e prontamente se jogou no chão.

- Violência! VIOLÊNCIA – ela gritou para os colegas.

Todos os que estavam com ela começaram a xingar o policial, que não entendia o que estava acontecendo.

Giovana se levantou e começou a clamar por liberdade de expressão.

- SOCORRO! VIOLÊNCIA! VIOLÊNCIA! – ela repetia.

E todas as câmeras focavam em seu rosto.

O vídeo de Giovana sendo “agredida” pela polícia teve 1.388.793 visualizações no YouTube. E ela teve a certeza de que tinha alcançado a fama.

** Isso é uma história de ficção.


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