Casas

September 24, 2009

Tem uma rua ali próxima da 25 de Março que deve passar despercebida por sacoleras e turistas, mas é bem daquelas ruas que vale a pena ser visitada. A rua Luís Teixeira termina em uma grande escadaria e tem apenas um estacionamento e uma loja de afiação, razão pela qual eu conheci esse pedacinho de São Paulo.

Com o perdão de soar metida e ridícula, essa rua me lembrou muito um cantinho de Roma que era quase uma tortura para as tardes em que eu e a Lia ficamos procurando a Fontana di Trevi. A rua italiana tinha quase o mesmo perfil. Era um cantinho meio escondido que terminava em uma escadaria enorme. Subir todos aqueles degraus era um inferno, mas quem liga quando se está passeando por Roma?

Eu queria ter esse mesmo prazer ao caminha pelas ruas do centro daqui. Não me entendam mal. Eu aprendi a gostar do centro, com todos os mendigos e pessoas loucas, mas eu não sou nem louca de andar por aqui olhando para os prédios e respirando o ar gelado da “terra da garoa”. Primeiro porque corro o risco de ser confundida com uma turista qualquer e acabar morta em um córrego de Osasco. Segundo porque, oi? Saúde respiratória é bom e eu quero mantê-la. Poluição misturada a cheiro de mendigo e milho verde não é legal. E nem se compara ao cheiro de pãozinho de mel em Praga ou ao cheiro de curry de Londres.

Mas eu me sinto sim atraída por todos esses prédios antigos que encontramos quando cruzamos a Avenida Ipiranga e a Avenida São João.

Para o meu TCC (podem culpá-lo por eu não escrever aqui há meses) entrevistei o repórter Vitor Hugo, do Estadão, e ele disse que algum dia deve ter desejado ser arquiteto. Pois acho que eu também.

E não é uma pena ver esses prédios todos fofos e charmosos, que na Europa são restaurados, viram museus e ponto para tirar foto “estive aqui”, acabados aqui?

Nessa rua, a Luís Teixeira, tem um prédio muito bacana que com certeza é um cortiço. Olha, desculpa, mas pensar que esses locais são habitados por bêbados que escutam Calcinha Preta muito me incomoda.

Carcaça

Carcaça

Não faz muito tempo, eu entrevistei o secretário municipal de cultura e ele disse que queria levar os jovens para morar no centro de São Paulo. Tudo muito lindo, tudo muito poético, mas vai precisar de uma bela ação de todas as secretarias para conseguir fazer isso, né? É secretaria de serviços, secretaria de controle urbano, secretaria de segurança, claro…

Mas, galere, olhem só que fotos bonitinhas que eu fiz com o meu celular podre em algumas pautas lá pelo centro:

Dia feio

Dia feio

Dia lindo (não inverti as legendas!)

Dia lindo (não inverti as legendas!)

Gente, não tá na hora de respeitarmos o patrimônio da cidade? Por que vão derrubar tudo e deixar que alguns edifícios simplesmente fiquem corroídos pelo tempo?


A piscina, a bruxa e a bomba de sucção

August 4, 2009

Quando eu estava no primeiro ano da faculdade eu costumava odiar quando os meus professores falavam para desistirmos do jornalismo. Não me entendam mal, ainda odeio, afinal a grande maioria deles nunca pisou em uma redação, mas eu aprendi a dar razão para alguns dos argumentos.

Primeiro, a gente trabalha muito. Mas muito mesmo.

Segundo, a gente ganha pouco.

Terceiro, a matéria nunca está boa e você tem de aprender a questionar tudo e a ser uma pessoa mais “chata”.

Quarto, você tem de lidar com assessorias de imprensa. E meu deus, acho que essa é, afinal, a pior parte.

Sério. É foda.

Nos últimos três dias eu vivi o êxtase e o insucesso da profissão. Em 3 dias.

Tudo começou na quinta-feira, quando uma mulher ligou para a redação. Ela contou que um prédio em frente ao dela precisava realizar uma reforma na piscina e eles queria doar a água  para não desperdiçar tudo. Nada mais justo. Acontece que ninguém podia aceitar a água. Eram 150 mil litros de água tratada, que só não dava para beber, mas que de resto, tudo lindinho.

O que era uma bizarrice cotidiana se tornou uma história ótima, afinal, em tempos de discursos e mais discursos sobre sustentabilidade é um absurdo que 150 mil litros de água rolem pelos canos dos esgotos simplesmente porque ninguém, nenhum órgão público, pode gastar um pouco a mais ou se mexer um pouquinho para buscar essa água toda.

Liguei para a Sabesp, para a Secretaria de Serviços, para a Secretaria das Subprefeituras, para o Corpo de Bombeiros. Todo mundo me respondeu a mesma coisa: não dava. “Não temos bombas de sucção”, diziam alguns. “Não temos como armazenar”, diziam outros. Acontece que todo mundo também elogiou a iniciativa.

A matéria foi a seguinte: as pessoas estão muito interessadas em colaborar com a natureza, mas não há estrutura da prefeitura para que de fato haja um desenvolvimento sustentável.

Alguém nega?

Logo que comecei meu estágio fiz uma matéria que até hoje guardo com muito carinho: “Prefeitura só recicla 1% do lixo de São Paulo”.

Já naquela época recebi reclamações. “Claro que a prefeitura reciclava muito mais”, dizia a nota. Mentira. Reciclava só isso mesmo. E sabe por quê? Porque ninguém sabia que a prefeitura recolhia o lixo separadamente. Aliás, nem isso foi confirmado. Alguém tem certeza de que existe coleta seletiva na sua rua? O caminhão de lixo comum é o mesmo que o caminhão de lixo reciclável e ninguém tá nem aí se aquele saquinho tem papel ou aquele tem resto de comida. Tudo para no mesmo lugar.

Aí que tá. Todo mundo se comoveu vendo “Uma Verdade Inconveniente”, viu “Wall-E” como o futuro do planeta. E todo mundo se mexeu, menos a prefeitura de São Paulo.

A matéria sobre a piscina foi publicada. Página 3 do JT, destaque na capa. Destaque na capa também do Estadão. Fiquei muito feliz. O pessoal da redação me elogiou. Todo mundo gostou da matéria.

No dia seguinte vem nota da Sabesp dizendo que não foram informados da situação toda.

Hoje me liga assessora gritando comigo porque publiquei coisas que ela não tinha dito. Mentira. Tenho tudo anotado e não tenho essa imaginação toda.

É realmente muito fácil dizer que a prefeitura tem um comportamento ambientalmente responsável, mas não há ações. Nem para comprovar, nem para mostrar que algo está sendo feito.

Aí eu fico com raiva, fico puta, fico roxa de ódio. Quando eu não pressiono as assessorias de imprensa, confio no que me dizem, a editoria me diz que eu tenho de ser mais dura com esse bando de jornalistas vendidos. Quando publico algo que deixa a prefeitura mal recebo notas de reclamação e telefonemas grosseiros. É nessas horas em que vejo que aqueles professores, mais inexperientes do que eu, bem que tinham razão. Ser jornalista é uma merda e o mais fácil é desistir.

Mas quando a Sabesp informa que vai resolver o problema, os 150 mil litros de água deixam de ir para o esgoto para serem aproveitados com coisas úteis e a matéria chama a atenção para um problema tão real, tenho a certeza de que essa é a melhor profissão do mundo e eu não a trocaria por nada.


Sonhei

August 2, 2009

Eu tenho um certo medinho dos meus sonhos.

Dizem que os sonhos misturam lembranças da infância, traumas e experiências do dia, mas eu raramente encontro alguma coisa nesse sentido nos meus sonhos. Não dá mesmo para entender de onde a minha cabeça tira algumas coisas.

Ontem, por exemplo, eu sonhei que eu era filha do Carlos Eduardo Dolabella com a Natália do Vale (detalhe que eu nem sabia quem era a Natália do Vale até dar um google básico). Ele era um magnata das porcas (as do parafuso, não os animais) em uma cidade do interior do Rio de Janeiro.

Era o segundo casamento do meu pai. Ela, mais nova do que ele, havia sido a amante dele quando ele ainda era casado com outra mulher.

O casamento andava capenga, afinal meu pai trabalhava demais e a minha mãe, que não fazia nada, estava infeliz.

Eu namorava um carinha X aí. Ninguém que eu conheça, nenhum ator, infelizmente. E minha mãe, tentando sair comigo, conheceu um colega de sala do Leo e começou a namora-lo.

Olha só a situação. Minha mãe estava perdidamente apaixonada por um cara de 20 anos que faz faculdade com um dos meus melhores amigos.

E eu super apoiava a minha mãe. Queria que ela fosse feliz.

Enquanto ela traia meu pai eu tentava encobrir o caso. Papai era muito nervoso e se descobrisse com certeza iria matar mamãe. Mas ele nunca estava em casa. Claro que cedo ou tarde ela iria dar umas escapadas.

No dia dos namorados eu ia sair com o meu namorado e a minha mãe ia sair com o amante dela, que por motivos de Google, não direi o nome aqui. Acontece que meu pai quis surpreende-la para a data e acabou descobrindo tudo.

Eu ajudei os dois a fugirem da ira dele e acabei entrando em um teatro.

Era o teatro de Hairspray, no Rio de Janeiro, e o Charles estava lá comentando cada segundo, do lado do Miguel Falabella. O Miguel estava putíssimo e o Charles falava “Olha, a sua peça até que está boa, mas essa métrica não dá”. E o Miguel encarando o Charles com uma fúria teatral.

O Charles estava tão envolvido na produção que subiu no palco e começou a ser contra-regra, passando objetos aos atores e fazendo alguns efeitos sonoros. Nesse momento eu ligo para o Leo.

- Leo – eu digo quase sussurrando para não atrapalhar o ensaio geral que acontecia no palco – o Charles está trabalhando em Hairspray!

- Que? Ele renunciou o Sarney?

- NÃO! Está. Trabalhando. Hairspray.

- Não acredito que o Sarney renunciou no fim de semana!

Desliguei o telefone rindo e desci para o porão do teatro, onde encontro a minha mãe e o amante dela dormindo em colchões. Eles me falam que vão morar em um abrigo para moradores de rua, mas que serão felizes pois sempre vão se amar. E eu dou de ombros. Papai ainda me amava e minha mãe, aquela piranha, não tinha nada que trair meu pai.

E esse foi o meu sonho.


84, Charing Cross Road

July 30, 2009

Coleciono DVDs. Claro, sou cinéfila e não poderia ser diferente. Ultimamente, entretanto, tenho buscado DVDs demais.

Resolvi que queria alguns filmes em minhas prateleiras muito mais literários do que cinematográficos. Explico. Comprei “Mais Estranho que a Ficção” e “Nunca te Vi, Sempre te Amei”, tradução ridícula do belíssimo “84, Charing Cross Road”.

Os dois filmes me despertam o prazer da leitura, mas é o segundo que mais me cativou.

Acho que assisti há alguns anos em uma dessas sessões de madrugada em um canal de TV aberta. Confesso que foi em uma dessas sessões também que descobri “… E o Vento Levou” e alguns outros filmes clássicos. Por que não passam esses filmes em horários razoáveis, não é mesmo?

Acontece que o filme é apaixonante. É sobre uma escritora americana que encomenda livros de um sebo londrino e inicia uma troca de correspondência deliciosa com um dos funcionários da loja, Frank, e os outros empregados. Frank é interpretado por Anthony Hopkins e Helen, a escritora, é interpretada por Anne Bancroft. O filme é baseado em um livro de mesmo nome (o título original, claro, não a estupidez em português) que reuniu a correspondência entre os dois.

É lindo. É uma história de amor sim, mas não entre os dois, que estão separados por um oceano e se tornam amigos, apenas. Mas uma história de amor pela literatura, e não tem nada mais gostoso.

O título é o endereço da loja. Charing Cross Road é a rua em que se encontra o Leaky Caldroun, ou o Caldeirão Furado, de Harry Potter. É também a rua dos sebos em Londres. A rua mais fantástica por onde eu já andei.

Minha escola de inglês quando morei lá ficava nessa rua. Quase em Trafalgar Square. Lembro até hoje a primeira vez em que andei por lá. Eu já tinha visto o filme, já sabia da fama da rua, já era fã de Harry Potter e fã de literatura em geral. Desci do metrô com um sorriso no rosto e fui lambendo as vitrines de cada uma das livrarias pelas quais passei. Era praticamente meu primeiro dia na cidade e eu não poderia ter escolhido mel

Almost there

Eu não tirei nenhuma foto da rua, então roubei essa da internet. É com “vista” para Leicester Square, onde existe uma concentração básica de cinemas e onde costumam acontecer as premieres europeias.

Imaginem então minha satisfação. Estudava em uma rua conhecida por seus sebos, próxima de um dos principais pontos turísticos da cidade, Trafalgar Square, ao lado da concentração de cinemas, teatros e o ponto onde aconteciam as premieres. Minha felicidade não podia ser medida.

Quero voltar.

Bom, anyway. Hoje chegou o DVD. Eu tive de comprar pela internet, pois o filme não é mais fabricado. Não encontrei em nenhuma loja. Ainda bem que a Lojas Americanas tinha.

Eu amo receber pacotes. E esse filme descreve isso também. O sentimento fantástico que temos ao receber pacotes pelo correio. Tipo “My Favorite Things”, de “Sounf of Music”: “Brown paper packages, tied up with strings. These are a few of my favorite things”. E de fato são. Não tem nada melhor do que receber encomendas pelo correio.

O fato de o filme ser quase uma raridade também me aproximou dos personagens. Delícia.

Quero o livro agora. Quero poder descobrir eu mesma, página por página, como esses dois personagens se tornaram amigos, sem nunca terem se visto.

A história é tão bonita e tão atual que eu proponho uma refilmagem da história. Uma readaptação.

Duas pessoas se conhecem pela internet. Trocam e-mails, depois passam a trocar cartas (pois é mais legal), mandam presentes um para o outro, comentam tudo, mas nunca se conhecem. Acho que já vivi isso… Com um final diferente! :p

Esse post foi uma declaração de amor. Ao filme, à Charing Cross Road, aos livros e, principalmente, aos amigos com quem só troquei palavras durante muito tempo, mas com quem hoje posso trocar abraços.

E meus posts antipáticos vão se contagiando pelos filmes fofos.


A Vida, o Universo e nada mais

July 24, 2009

“Muito além, nos confins inexplorados da região mais brega da Borda Ocidental desta Galáxia, há um pequeno sol amarelo e esquecido.

Girando em torno deste sol, a uma distância de cerca de 148 milhões de quilômetros, há um planetinha verde-azulado absolutamente insignificante, cujas formas de vida, descendentes de primatas, são tão extraordinariamente primitivas que ainda acham que relógios digitais são uma grande idéia.

Este planeta tem – ou melhor, tinha – o seguinte problema: a maioria de seus habitantes estava quase sempre infeliz. Foram sugeridas muitas soluções para esse problema, mas a maior parte delas dizia respeito basicamente à movimentação de pequenos pedaços de papel colorido com números impressos, o que é curioso, já que no geral não eram os tais pedaços de papel colorido que se sentiam infelizes.

E assim o problema continuava sem solução. Muitas pessoas eram más, e a maioria delas era muito infeliz, mesmo as que tinham relógios digitais.

Um número cada vez maior de pessoas acreditava que havia sido um erro terrível da espécie descer das árvores. Algumas diziam que até mesmo subir nas árvores tinha sido uma péssima idéia, e que ninguém jamais deveria ter saído do mar.

E, então, uma quinta-feira, quase dois mil anos depois que um homem foi pregado num pedaço de madeira por ter dito que seria ótimo se as pessoas fossem legais umas com as outras para variar, uma garota, sozinha numa pequena lanchonete em Rickmansworth, de repente compreendeu o que tinha dado errado todo esse tempo e finalmente descobriu como o mundo poderia se tornar um lugar bom e feliz. Desta vez estava tudo certo, ia funcionar, e ninguém teria que ser pregado em coisa nenhuma.

Infelizmente, porém, antes que ela pudesse telefonar para alguém e contar sua descoberta, aconteceu uma catástrofe terrível e idiota, e a ideia perdeu-se para todo o sempre.

Esta não é a história dessa garota.

É a história daquela catástrofe terrível e idiota, e de algumas de suas consequências.”

- O Guia do Mochileiro das Galáxias, de Douglas Adams.

Tem humor mais refinado?

Sou apaixonada por Douglas Adams. Ele foi roteirista de alguns episódios de Doctor Who e se gabava por ser o verdadeiro DNA, suas iniciais. Olha, A-PAI-XO-NA-DA

Super recomendo os livros e o filme.

Bom, aí que sempre que eu penso no Guia, ou em Doctor Who (aliás, xpia o novo Doctah, que gatchenho:

) eu penso se vou estar aqui para cobrir o dia em que a humanidade irá descobrir que não está sozinha no universo. Sério. Quero escrever matérias sobre isso…

O dia em que eu estiver inspirada eu escrevo uma matéria jornalística de ficção sobre esse dia. Orson Welles ficará no chinelo. Eu sou super modesta.


Eu peguei gripe suína

July 23, 2009

Ou pelo menos deveria ter pego… Facilitaria meu trabalho.

Hoje fui a algumas farmácias de São Paulo perguntar uma série de coisas:

1 – Vocês têm álcool gel?

2 – Vocês têm máscara contra a gripe suína?

3 – E Tamiflu? Tem? Posso comprar sem receita?

4 – E já que vocês não têm nada disso, o que eu posso tomar para não pegar a gripe suína?

Agora imaginem vocês a minha situação. Cada vez que eu entrava em uma farmácia as pessoas riam da minha cara. Claro, porque para pedir indicação de algum remédio preventivo eu não podia falar que era jornalista.

Eu parecia uma desesperada. Morrendo de medo de pegar a maldita doença.

Não que eu não esteja com medo. Medo eu tenho. Mas, oi? Não vou gastar 30 reais na farmácia para tentar evitar uma coisa que taí. Que está nas mãos do destino se eu vou pegar ou não.

A bola mágica, quando eu perguntei se ia pegar gripe suína, me respondeu um “are you kidding?”. Gosto de confiar na bola. A bola sabe tudo.

De qualquer forma comprei o tal do gel, na primeira farmácia que eu entrei. Aliás, a única que realmente tinha a porrinha do gel.  (Acho que eu tenho sorte com “primeiras farmácias”, foi assim também com aquela do fatídico Jerry, Hello)

Foto poética com o meu note ao fundo

Foto poética com o meu note ao fundo

Olha só a foto. O mundo representado com três globos de neve de diferentes países, o álcool gel contra a gripe suína e o meu note ao fundo, com a foto das pessoas de máscara. Não simboliza bem o que é esse medo? HAUHAUAHUA

Eu só quis mostrar algumas das coisas que eu mais gosto no quarto, ok?

Bom, aí eu estava lá na Paulista. Andando de farmácia em farmácia me deixando passar por louca.

São Paulo se encontra aqui

São Paulo se encontra aqui

E, olha, se a gripe suína tá por aí não vai adiantar comprar gel anti-séptico na Paulista não, minha gente. Porque olha só a quantidade de gente zuada que anda por aí. Uma tossidinha e pronto. Não há mãos limpinhas que salvem.

No final ninguém tentou me empurrar remédio nenhum, o gel acabou na grande maioria das farmácias, as máscaras que funcionam também acabaram e estamos todos fudidos. Mas a bola disse que eu não pego gripe suína. Tô sussa.


I’m a bitch

July 17, 2009

Eu sou bitchy. É a minha personalidade. Eu reclamo, eu faço comentários maldosos, eu encho o saco. Mas geralmente rola um equilíbrio. Eu não sou bitchy com todo mundo o tempo todo. Isso, aparentemente, faz de mim uma pessoa louca.

Hoje eu posso ser um amor de pessoa com você, amanhã eu já não garanto.

Tem pessoas que, coitadas, experimentam isso da pior maneira. O Léo, o Disney, é um dos piores. Tem vezes que eu sou a pessoa mais fofa do mundo com ele, como na semana passada. Tem outras em que eu sou tão grossa que fico me perguntando como ele aguenta. Sorte a minha, ele aguenta. E espera a tempestade passar até que eu volte a ser a pessoa mais fofa do mundo com ele.

Agora, diferente do que vocês podem imaginar, esse meu humor não segue um padrão. Não é TPM, não é tensão pré-pauta ou qualquer outro tipo de tensão. É simplesmente a minha personalidade se manifestando.

Tem dias, como hoje, em que eu simplesmente acordo a pessoa mais bitchy do mundo e tenho que torcer para a coisa desparecer no dia seguinte.

Descobri que o twitter só piora minha raiva com o mundo.

Tem uma coisa que eu detesto em algumas pessoas. Aliás, tem uma lista de coisas que eu detesto nos outros e que, sempre que identifico essas características em alguém eu sei que é o fim da amizade. Se você ainda é meu amigo é porque você tem apenas uma ou nenhuma das seguintes características:

1 – Hipocrisia – ODEIO gente hipócrita mais do que tudo na vida. Gente que diz uma coisa e faz outra. Gente que reclama de alguém mas faz a mesma coisa.

2 – Folga – Não tem nada pior do que gente folgada. E gente que reclama porque quer continuar a ser folgada.

3 – Egoísmo – Não o tipo de egoísmo “não quero te emprestar isso”, mas do tipo que monopoliza a conversa e faz tudo virar para si mesmo.

Tem gente que reúne as três características. Eu não me relaciono com esse tipo de gente. Mas tem gente que tem as duas primeiras características e tem twitter. Aí pronto. Imagina eu, em um dia bitchy como hoje, tendo que aguentar gente hipócrita e gente folgada falando sobre si mesmos no twitter. Esbanjando hipocrisia e falta de compromisso.

Hoje foi o dia de distribuir desaforos.

Alguém torce para amanhã eu estar melhor, ou perderei alguns amigos… Não me farão falta como amigos, mas contatos sempre são bons, né?


De volta

July 5, 2009

Faz muito tempo que não posto alguma coisa aqui, hein?

Bom, faz muito tempo que não tenho tempo. Ou histórias engraçadas pra contar…

Melhor corrigir. Histórias engraçadas eu até tenho. Mas aprendi minha lição quanto a falar sobre as pessoas no meu blog. Melhor deixar quieto, né?

Anyway. Ando bastante ocupada com o TGI (TCC do Mackenzie, lembram?), o que me fez ficar afastada do blog! Estou MUITO feliz com o que estamos fazendo até agora! O referencial teórico (parte mais chata) ficou muito bom, segundo meus professores. Tirei 10 com o meu orientador! Fiquei absurdamente feliz!

As entrevistas também estão indo bem. Eu fiquei pensando se postava ou não os capítulos aqui, mas achei melhor não! Quando o livro estiver pronto quem quiser me pede uma cópia. Eu mando.

E se muitas pessoas pedirem será um argumento para que eu publique de verdade. HAUAHUA

Ou seja, galera, bora pedir!

Mas olha só, né? Em meses e meses que eu não escrevo aqui muita coisa mudou.

Agora eu tenho twitter. Pode dar um follow quem quiser. Eu, que sempre critiquei, tenho twitter. E acesso todos os dias. Vergonha.

Outra coisa que aconteceu: o mundo perdeu Michael Jackson.

Outro dia eu estava vendo De Volta para o Futuro 2 e o Michael Jackson é citado, como vivo em 2015. Isso não é irônico? Os carros voam em 2015, segundo o filme. Mas, até agora, o que desenvolvemos? Um telefone com touch screen… As pessoas morrem de gripe em 2009! Alguém confia que em 2015 teremos tudo isso? Eu não!

Bom, é isso! Esse post era só para declarar que eu vou voltar a escrever.Agora do meu notebook! Yuhuuuu!

Até depois!


A Viagem – Parte VII: As Relíquias da Morte

May 4, 2009
Confesso que estava com vontade de voltar pra casa. Saudades do jornal, saudades da minha cama… Eu precisava de alguns dias para deixar o pé pra cima e dormir. Dormir pra sempre.
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Mas a vontade de voltar para casa não era nada comparada à vontade de ficar em Viena. Viena é linda. E pegar bonde é divertido.
Bondes em Viena... Fofo

Bondes em Viena... Fofo

O que eu mais iria sentir (e sinto) saudades de Viena é, claro, da Lucila. Andar pelas ruas comentando em alto e bom som tudo o que acontece a sua volta com frases crueis é algo que só a Lucila sabe fazer direito. E os comentários do emo. E contar histórias. A Lucila faz MUITA falta.
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Com as malas arrumadas eu precisei arrumar espaço para os livros da Bia, os chocolates que comprei, os presentinhos para o Arthur, a Maria Angela e o avô da Lucila. Arrumar espaço para o Van Gogh sem orelha que comprei pra mim e também o que comprei para a minha irmã. Arrumar espaço para os vários pacotes de Haribo que eu também comprei pra Lia, as balas favoritas dela.
Morada

Morada

Presentes e lembranças alojados, era hora de desfrutar nosso último dia em Viena.
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Fomos ao Albertina para a Lucila comprar o presente para o avô e aproveitamos para visitar os túmulos dos habsburgos.
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Medo.
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Depois de conhecermos os palácios onde moraram, os jardins onde passearam e os observatórios onde planejaram os casamentos, era irônico terminarmos a viagem com, ora vejam, o local onde viverão pela eternidade. Mortos.
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Caixões e mais caixões foram colocados em fileiras mortas. Os mais ostentadores são ostentadores até na morte, e enfeitam os caixões com animais, anjos chorando e caveiras sem dente. Quem viveu a vida na simplicidade (Albert e Cristina, do Albertina), mantém a última e permanente morada simples.
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Isso não faz do lugar menos creepy.
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Andar por entre caixões não é legal.
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Mas vimos o caixão do Franz Josef, da Sissi, do Franz Ferdinand, causador da 1ª Guerra, e por aí vai…
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Encerramos o passeio comendo a mesma salsicha que comemos no primeiro dia. Yami.
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Minha obra de arte moderna
Minha obra de arte moderna
A sobremesa?
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Bom, Franz Josef, o roomate, não o imperador, fez um doce típico austríaco. Muito simpático.
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Passamos uma semana na Áustria e conhecemos Franz Josef apenas no último. Em todos os dias que ficamos na casa da Lucila Franz Josef não era nada além de um vulto escovando os dentes para a Bia e um barulho nada discreto na cozinha para mim.
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No último dia ele fez questão de que fossemos até lá para comer o Strudel sei lá do que. Gostoso! Mas a experiência nada tinha a ver com a comida e sim com a presença rosa de Franz Josef.
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Franz Josef fala português muito bem. E suava enquanto tentava achar as palavras. Engraçado ele falando… Como um alemão. Com aquele sotaque que todo mundo faz piada.
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Ele não entendia que nós não iamos para a Itália com a Lucila, que na verdade estávamos deixando a Áustria naquele sábado. Ele não entendia também que já estávamos mais do que satisfeitas e não queríamos mais Strudel, até porque estávamos atrasadas.
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E atrasadas fomos até a estação do metrô (minha mala virando diversas vezes ao longo do caminho), pegamos trem, e lá fomos nós… 350 km, 350 km! Pare um pouquinho, descansa um pouquinho, 350km!
De volta ao trabalho

De volta ao trabalho

Chegamos. E eu embarquei pouco tempo depois. Triste. Muito, muito triste.
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(obra de semi-ficção)
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Na sala de embarque eu tinha pouco o que fazer. Peguei meu iPod e fiquei ouvindo música enquanto jogava paciência. Faltava pouco, entretanto, para que a bateria acabasse. Era fato que eu não poderia ficar jogando muito mais tempo.
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Olhei para os lados, avaliando cada um dos rostos à minha volta. Foi olhar dele que me chamou a atenção. Os olhos verdes pareciam queimar o meu rosto. Senti o sangue do meu corpo subir para as minhas bochechas e o ardor da vergonha parecia evidente em minha expressão. Mesmo assim ele não virou o olhar.
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O cartão de embarque, preso entre as páginas do meu passaporte desviou minha atenção. \”E se aquele cara se sentasse do meu lado? Poltrona 25A… Se a dele for a B acho que não terei como disfarçar por uma hora e meia até Milão. Sem um livro para ler e sem o iPod funcionando não vai rolar…”
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Olhei mais uma vez. Ele agora estava focado em uma leitura leve. Um daqueles livros de bolso típicos de livraria do aeroporto. O livro era em inglês. Ótimo.
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Talvez tenha sido uma ilusão, mas eu podia jurar que, no momento em que meus olhos o observaram novamente, os lábios dele se contorceram em um sorriso tímido. Ele podia ver que eu o estava encarando?
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Voltei ao iPod. Talvez pudesse jogar por mais alguns minutos até a bateria morrer por completo.
iPod... Sempre uma boa companhia

iPod... Sempre uma boa companhia

Não demorou muito para que a atendente da Austria Airlines convidasse todos a entrar no avião. Pronto. Precisava correr. Último dia na Europa não é dia para conhecer homens bonitos e puxar conversa com eles.
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Sentei em meu lugar e comecei a procurar pelas revistas de bordo. Algo para me distrair. Mas o mundo não funciona como a gente quer. Ele se sentou do meu lado.
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Uma troca de sorrisos foi conversa suficiente para mim. Os dois confortáveis em suas poltronas e nada mais precisava ser dito.
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Claro que as coisas não aconteceram assim.
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- Espero que não tenhamos turbulências. Tenho muito medo de voar. – Ele me disse em português.
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- Ahh você é do Brasil? Vai até São Paulo?
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- Sim, faço a conexão em Milão.
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- Puxa, que coincidência, eu também! Como você soube que eu era brasileira?
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- Eu imaginei. Se você não me respondesse eu fingiria que estava falando no telefone.
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Rimos e começamos uma conversa informal. Se ele era de São Paulo então sussa. Não teria de dizer adeus tão cedo. Maurício estava na Áustria havia duas semanas. Foi visitar a irmã, que se casou com um austríaco há pouco mais de um ano e tinha acabado de descobrir que estava grávida. Ele, que tinha se formado em história na USP no final de 2008, achou que era um ótimo período para visitar a irmã e aproveitou para conhecer outros países antes e avaliar a possibilidade de estudar arqueologia na Grécia.
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O que eu achei que seria uma longa viagem foi mais rápida do que o esperado. Nunca pensei que uma hora e meia passaria tão rápido. Logo estávamos em Milão, com mais quatro horas para matar até embarcarmos para São Paulo.
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Juntos comemos alguma coisa, visitamos as lojas do aeroporto, conversamos mais sobre projetos de futuro, impressões de Viena, países europeus e história brasileira. Novamente, quatro horas passaram rápido. Acho que ele tinha algum poder sobre o tempo.
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No avião da Alitália as coisas começaram a ficar estranhas. Claro que ele sentou do meu lado. O destino tem maneiras estranhas de brincar comigo.
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Na decolagem, em uma noite nublada, os monitores do avião pararam de funcionar. Foi só o Maurício colocar a mão na fuselagem, entretanto, que as imagens voltaram a aparecer. Coincidência?
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Ele percebeu que eu olhava curiosa, tentando entender o gesto que ele tinha acabado de fazer.
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- Voos longos são uma droga. Ainda mais de noite. Eu realmente não gosto.
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Minha vontade de dizer “Puxa, que pena. Então faz o seguinte? Evite usar seus poderes mágicos se isso for atrapalhar a viagem longa, ok” foi reprimida pelos olhos verdes brilhantes e o cabelo castanho cuidadosamente embaraçado. Moda é uma coisa estranha. O sorriso, com os dentes mais brilhantes que já vi na vida, também ajudou a me fazer calar a boca.
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- Engraçado isso, né? Nos sentarmos juntos nos dois voos! – Disse Maurício, claramente tentando desviar o assunto das mãos poderosas dele.
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- Eu não diria que é engraçado. Acho estranho. Ainda mais com esse avião vazio. Eles deviam ter colocado uma pessoa a cada 3 lugares… E isso não quer dizer que eu não estou feliz por ter alguém com quem conversar durante o voo!
Ainda mais com esse sistema de entretenimento falho!
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- Se você quiser eu posso dar um jeito nisso pra você.
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- Oi?
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- Eu posso sentar na poltrona aqui de trás, aí você fica com essas três pra você!
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- Eita! Claro que não! O destino nos quer lado a lado então é assim que precisamos ficar. Vai que o avião cai, não é mesmo? – Eu disse rindo.
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- Você é cruel – ele respondeu, também entre risos.
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- Legal que você percebeu isso em menos de 10 horas conversando comigo. Quando chegarmos em São Paulo você vai descobrir que eu também sou insensível e meio louca.
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Ele riu. Com sinceridade. Eu estava começando a ficar com medo do menino. Não estava entendendo a dinâmica daqueles momentos.
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Um cachorro latiu. Eu me assustei. Como assim tinha um cachorro no avião? E como assim já estávamos sobrevoando Portugal quando eu notei que o cachorro estava não só no avião, mas na fileira ao meu lado?
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- Qual o nome dele? – o Maurício perguntou. Eu não tinha reparado ainda como a voz dele era musical.
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- Ricky – respondeu a dona. Ela e o marido colocaram o cachorro na poltrona do meio.
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Para a minha surpresa, o Maurício levantou da poltrona e se dirigiu ao Ricky e aos donos. Pela primeira vez eu o assisti andando. Leve, quase dançando. Lindo.
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Ele acariciou o cachorro, que fechou os olhos em êxtase. Como queria ser Ricky naquele momento.
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Maurício não dormiu. Mas me deixou cochilar um pouco. Vergonha. Eu babando na poltrona tosca da Alitália e ele lá, lindo, como se estivesse dirigindo um Porsche convercível de Roma a Veneza.
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Quando aterrissamos, às 5h30 em Guarulhos, ele segurou a minha mão.
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- Desculpe. Aterrissagens me dão ainda mais medo.
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- Lembra que eu falei que você descobriria que eu também sou insensível? Acho esse seu medo uma bichice – eu disse rindo.
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E ele me beijou.
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Fiquei lá. Parada. Olhando para o nada. Sem entender o que tinha acontecido. Sem entender como a minha falta de noção social me rendeu um beijo do único brasileiro gato do planeta. Porque, sério, a gente tem caras bonitos tipo o Rodrigo Santoro, o Marcelo Antony… Eu ainda achava o Maurício mais bonito.
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Aterrissamos. Pegamos as malas. Eu mais sem graça do que nunca. Saímos do avião. Esperamos juntos as bagagens na esteira.
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- Bom, preciso ir. Quero ver minha família. Quero dormir. Quero fingir que meu pé não está doendo.
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- Se cuida.
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- Você também! Não vai entrar em um voo sem alguém pra segurar a mão, hein?
Ele riu. Eu passei pela receita federal e logo encontrei o olhar ansioso da minha mãe. Nunca mais soube de Maurício.
Julia tem krebs. Eu tenho saudades.

Julia tem krebs. Eu tenho saudades.

FIM

Agradecimentos:
Seguindo a tradição de Stephenie Meyer, agradeço à ela por me dar a idéia de um romance sem conflito, com uma leve idéia de poderes mágicos e um final sem graça.
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Quero agradecer, claro, à Lucila, pela hospedagem em Viena, os passeios e as histórias. Sem ela, o emo, o Franz Josef e tantos outros personagens, esse relato não seria o mesmo.
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À Bia, por ser a companhia mais divertida pelas caminhadas em Viena e, claro, pelas fotos, que ilustram os posts do meu blog. Um dia, quando publicar meu livro de viagem, Bia, quero te chamar para ser a fotógrafa.
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Às minhas leitoras e leitores. Leitoras principais e exclusivas, que leram esse relato na íntegra, sem censuras ou reescritas, Fê, Dani e Renata. Vocês que me dão força para escrever. Aos leitores secundários do blog. Mas só os que comentam! hahahaha Obrigada.
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Preciso agradecer, claro, às bandas que me provocam momento de inspiração: Muse (sempre), Fresno e NXZero. Sem vocês a história do emo não teria graça. Na minha cabeça vocês foram a trilha sonora de cada passo do menino!
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E às trilhas sonoras da minha vida de verdade: High School Musical, Hannah Montana, Demi Lovato e Jonas Brothers. Vocês me ajudam a escrever fanfics infantis sobre a experiência no aeroporto. Sempre jovem, Disney people.
Viena a nossos pés

Viena a nossos pés

*As fotos que ilustraram todos esses relatos foram feitas por Bia Rodovalho. Esse post foi ilustrado com as fotos de todos os dias de viagem e não do último*

A Viagem: Parte VI – Breve relato mesmo

May 2, 2009

O penúltimo dia em Viena foi triste, mas marcado por um encontro louco em um bar.

O dia estava frio. A Bia teve a péssima idéia de colocar uma saia. Estava super judia francesinha, uma graça, mas sofreu bastante enquanto a gente caminhava pelos jardins do Belvedere e procurávamos um lugar para comer (e comemos no McDonald’s, pois não importa! Nenhuma visita a um país está completa sem ter conhecido as diferenças do McDonald’s estrangeiro).

Quando começou a chover o nosso plano de ir ao Cemitério Central foi abandonado. Resolvemos priorizar as atividades indoor e conhecermos de verdade os museus do lower Belvedere e depois a Kunsthaus… Compras também foram uma boa idéia. Eu precisava gastar tudo o que eu passei o semestre economizando.

Único dia nublado em Viena

Único dia nublado em Viena

Da Kunsthaus fomos ao bar. Um encontro muito bizarro. Três brasileiras, um holandês, uma francesa, um búlgaro, duas russas, um turco e um austríaco (o emo! :o ). O búlgaro (o Ivo, “namorado” da Lucila) não quis ficar no bar natureba que estávamos e resolveu nos levar para um bar na praia.

No bar da praia

No bar da praia

A praia é um banco de areia ao lado de um dos canais do Danúbio. É muito legal mesmo, mas estava frio demais para aproveitarmos. Antes de irmos pra lá encontramos ainda a Anastasia com uma amiga russa mega piriguete, e o Onur, que é um turco estranho mesmo… O frio faz você reparar o quanto as pessoas não ornam com o ambiente. Ele não orna. Ele parece um objeto de decoração mal posicionado ou uma cor mal escolhida na combinação de uma roupa. É o tipo de coisa que você olha, faz “ew, que estranho” e depois se acostuma e para de olhar.

Ficamos pouco tempo no bar. Tinhamos de voltar e arrumar as malas.