Capricho do destino

November 29, 2009

A Charity, de Sweet Charity, diz isso. Diz que gosta da expressão “capricho do destino”. Eu também gosto. Ainda mais quando o destino, caprichoso que só ele, resolve unir coisas completamente aleatórias na minha vida.

Por exemplo, ontem eu fui fazer uma matéria no Liceu Coração de Jesus, lá na Luz, centrão da cidade. Centro da Cracolândia, para ser mais exata.

Meu avô estudou lá. E eu me lembro de passar por ali de carro com o meu avô. Ele foi mostrar para mim e para a Lia a estação da Luz, o centro da cidade e o colégio onde ele estudou.

Foi ótimo entrar lá… Acho que eu nem teria a oportunidade de ver onde meu avô passou a infância se não fosse a minha profissão.

Por um capricho do destino, entretanto, o colégio está pra fechar. Se antes tinha 2.500 alunos, hoje tem apenas 280. E é um absurdo que um colégio de 125 anos  que ocupa um quarteirão inteiro de um dos mais importantes bairros da cidade esteja em uma situação dessas.

Para salvar o colégio os ex-alunos, que por um outro capricho do destino, leram uma matéria na Folha de S. Paulo sobre essa crise, resolveram se unir.

Para chamar a atenção das autoridades e convidar mais pessoas a participarem da comoção toda, eles resolveram dar um abraço no colégio:

Olha, não vou nem comentar a babaquice que é dar abraço coletivo em espaços públicos, mas vou comentar que, por um capricho do destino, uma das pessoas organizando o abraço era um protótipo de Edson C., o professor mais pau no c* de todo o Mackenzie.

E é foda você ver que estão fazendo o negócio mais tosco para “chamar a atenção para um assunto sério” e ser convidada para participar com aquela cara de “É, colega, dessa você não escapa.”

Acho super válida a iniciativa para salvar o colégio. Como jornalista, dou todo o meu apoio. Como neta de um ex-aluno, ainda mais. Agora, não acho que abraços e lanchinhos farão isso. É preciso agir. E agir mais efetivamente.

Aí entra o maior capricho do mundo praticado pelo destino.

Quando eu e a Lia fomos para a Itália ficamos na igreja de San Pietro in Vincoli onde ficava Dom Bosco quando estava em Roma, aparentemente.

Eu, que adoro tirar fotos dos lugares onde fiquei e dos corredores por onde passei, resolvi que queria tirar uma foto do corredor dos quartos lá da igreja. Juro que fiquei com o maior medo do mundo de tirar essa foto do corredor:

Cara, o que é aquele brilho estranho?

O quarto onde o santo ficava era bem ali. E agora, analisando a foto para colocar aqui, vi um vulto bizarro… Teria eu tirado a foto de um fantasma/anjo?

Bom, o ponto é que Dom Bosco foi o fundador dos salesianos (se é que eu posso dizer fundador) e foi quem construiu aquela igreja onde a galera da segunda foto está reunida.

Dom Bosco insiste em cruzar o meu caminho assim tantas vezes, né?

Que capricho do destino!

Eu posso até ter uma foto dele, ora vejam.

E a mão dele, a relíquia (eeeeeeeeeeeeeeeeeeeeeeeeeeeeeeeeeeeeeeeeeeeeeeeeeeeeeeew) chega no Brasil na sexta-feira.

Serei eu a escolhida para apertar a mão desse homem/santo?

Está nas mãos do destino!


Fine

November 9, 2009

Entreguei o TGI (TCC na linguagem normal das universidades).

Nem acredito. Foi um sufoco para terminar, mas finalmente entregamos o relatório (de 80 páginas) e o livro, que deu mais ou menos 100, em tamanho A5…

Eu nunca pensei que escreveria um livro. Na verdade, ainda acho que não tenho essa capacidade e que, se não fosse um trabalho e se o livro não fosse dividido em capítulos bem curtinhos com histórias diferentes, tenho certeza de que não faria.

Isso porque eu sou muito objetiva. E também não confio muito nas minhas ideias. Não sou daquelas que consegue ficar dias empolgada com o mesmo tema. Pra mim, se não faço ali, na hora, no dia seguinte não tem mais validade…

E foi meio assim com o TGI. Eu fazia uns capítulos na maior empolgação. Aí depois eu achava que estava tudo um lixo e queria mais era que ficasse só bom o suficiente para eu me formar e ok.

Hoje, quando eu não preciso fazer muito mais por ele e simplesmente aprimorar o que já está pronto, eu acho que ele tá bem legal! Fiquei orgulhosa do trabalho…

O trabalho é dividido em duas partes. O livro, acho que vou postar por aqui… Mas em partes… Aguardem…

O referencial é a parte chata. Teórica e tals. Esse eu não vou obrigar ninguém a ler. Mas foi no referencial que eu coloquei os agradecimentos. E acho que todo mundo merecia ler os agradecimentos, até por que muita gente é contemplada nesse texto!

Aí vai:

Não que eu ache que esse é o trabalho mais decisivo da minha vida, eu realmente espero que não seja. Mas há tantos a quem agradecer. E tanta gente que me ajudou a chegar até aqui.

 

Primeiro à Gabriela, Gay, que aceitou embarcar no projeto, agüentou a minha personalidade mandona e com quem formei uma parceria surpreendente. Se não éramos tão amigas no começo do trabalho hoje posso dizer que tenho o maior respeito e admiração por essa pessoa que coloca os melhores nomes nos arquivos.

 

Também preciso agradecer à Mel. Geminiana de personalidade forte que entrou nesse trabalho como entrou na minha vida: com uma animação enorme, quase sem pedir licença. Hoje eu não consigo imaginar o livro, ou a minha vida, sem ela. A Mel agüentou as minhas broncas e reclamações. Deve ter ficado brava comigo milhões de vezes, mas colaborou para deixar nossos relatos mais poéticos e nossas tarefas mais divertidas.

 

Ao Dacau, personagem do livro e fonte de inspiração para o tema. Se um dia eu for uma jornalista como ele, estarei realizada.

 

Aos meus amigos. Gãs, Leo, Caio, Felipe, Oliver, Paulão, Mudinho, Wagner, Marcelinho, Daniel, Léo Disney, Charlie e Fábio, os homens da minha vida. Às amigas Flávia, Denise, Cris, Marina, Dani, Bruna, Lígia, Song, com quem posso falar sobre os meninos e sobre todo o resto.

 

Às primeiras leitoras e pessoas mais fantásticas do universo. Lucila, Fê, Dani, Bia e Renata. Os e-mails que escrevemos me treinam para a vida.

 

Ao meu avô, Ronaldo Cattassini, que me ensinou a contar histórias, e à minha avó, Neusa Cattassini, que ainda acha que eu posso mudar o mundo.

 

À minha irmã, Lia Cattassini, que é a pessoa mais criativa que eu conheço e de quem eu tenho o maior orgulho.

 

À minha mãe, Nilce Cattassini, e ao meu pai, Eduardo Mendes, por tudo.

 

*E ao Sondheim pela inspiração nas horas em que faltava para escrever alguns capítulos.


Casas

September 24, 2009

Tem uma rua ali próxima da 25 de Março que deve passar despercebida por sacoleras e turistas, mas é bem daquelas ruas que vale a pena ser visitada. A rua Luís Teixeira termina em uma grande escadaria e tem apenas um estacionamento e uma loja de afiação, razão pela qual eu conheci esse pedacinho de São Paulo.

Com o perdão de soar metida e ridícula, essa rua me lembrou muito um cantinho de Roma que era quase uma tortura para as tardes em que eu e a Lia ficamos procurando a Fontana di Trevi. A rua italiana tinha quase o mesmo perfil. Era um cantinho meio escondido que terminava em uma escadaria enorme. Subir todos aqueles degraus era um inferno, mas quem liga quando se está passeando por Roma?

Eu queria ter esse mesmo prazer ao caminha pelas ruas do centro daqui. Não me entendam mal. Eu aprendi a gostar do centro, com todos os mendigos e pessoas loucas, mas eu não sou nem louca de andar por aqui olhando para os prédios e respirando o ar gelado da “terra da garoa”. Primeiro porque corro o risco de ser confundida com uma turista qualquer e acabar morta em um córrego de Osasco. Segundo porque, oi? Saúde respiratória é bom e eu quero mantê-la. Poluição misturada a cheiro de mendigo e milho verde não é legal. E nem se compara ao cheiro de pãozinho de mel em Praga ou ao cheiro de curry de Londres.

Mas eu me sinto sim atraída por todos esses prédios antigos que encontramos quando cruzamos a Avenida Ipiranga e a Avenida São João.

Para o meu TCC (podem culpá-lo por eu não escrever aqui há meses) entrevistei o repórter Vitor Hugo, do Estadão, e ele disse que algum dia deve ter desejado ser arquiteto. Pois acho que eu também.

E não é uma pena ver esses prédios todos fofos e charmosos, que na Europa são restaurados, viram museus e ponto para tirar foto “estive aqui”, acabados aqui?

Nessa rua, a Luís Teixeira, tem um prédio muito bacana que com certeza é um cortiço. Olha, desculpa, mas pensar que esses locais são habitados por bêbados que escutam Calcinha Preta muito me incomoda.

Carcaça

Carcaça

Não faz muito tempo, eu entrevistei o secretário municipal de cultura e ele disse que queria levar os jovens para morar no centro de São Paulo. Tudo muito lindo, tudo muito poético, mas vai precisar de uma bela ação de todas as secretarias para conseguir fazer isso, né? É secretaria de serviços, secretaria de controle urbano, secretaria de segurança, claro…

Mas, galere, olhem só que fotos bonitinhas que eu fiz com o meu celular podre em algumas pautas lá pelo centro:

Dia feio

Dia feio

Dia lindo (não inverti as legendas!)

Dia lindo (não inverti as legendas!)

Gente, não tá na hora de respeitarmos o patrimônio da cidade? Por que vão derrubar tudo e deixar que alguns edifícios simplesmente fiquem corroídos pelo tempo?


A piscina, a bruxa e a bomba de sucção

August 4, 2009

Quando eu estava no primeiro ano da faculdade eu costumava odiar quando os meus professores falavam para desistirmos do jornalismo. Não me entendam mal, ainda odeio, afinal a grande maioria deles nunca pisou em uma redação, mas eu aprendi a dar razão para alguns dos argumentos.

Primeiro, a gente trabalha muito. Mas muito mesmo.

Segundo, a gente ganha pouco.

Terceiro, a matéria nunca está boa e você tem de aprender a questionar tudo e a ser uma pessoa mais “chata”.

Quarto, você tem de lidar com assessorias de imprensa. E meu deus, acho que essa é, afinal, a pior parte.

Sério. É foda.

Nos últimos três dias eu vivi o êxtase e o insucesso da profissão. Em 3 dias.

Tudo começou na quinta-feira, quando uma mulher ligou para a redação. Ela contou que um prédio em frente ao dela precisava realizar uma reforma na piscina e eles queria doar a água  para não desperdiçar tudo. Nada mais justo. Acontece que ninguém podia aceitar a água. Eram 150 mil litros de água tratada, que só não dava para beber, mas que de resto, tudo lindinho.

O que era uma bizarrice cotidiana se tornou uma história ótima, afinal, em tempos de discursos e mais discursos sobre sustentabilidade é um absurdo que 150 mil litros de água rolem pelos canos dos esgotos simplesmente porque ninguém, nenhum órgão público, pode gastar um pouco a mais ou se mexer um pouquinho para buscar essa água toda.

Liguei para a Sabesp, para a Secretaria de Serviços, para a Secretaria das Subprefeituras, para o Corpo de Bombeiros. Todo mundo me respondeu a mesma coisa: não dava. “Não temos bombas de sucção”, diziam alguns. “Não temos como armazenar”, diziam outros. Acontece que todo mundo também elogiou a iniciativa.

A matéria foi a seguinte: as pessoas estão muito interessadas em colaborar com a natureza, mas não há estrutura da prefeitura para que de fato haja um desenvolvimento sustentável.

Alguém nega?

Logo que comecei meu estágio fiz uma matéria que até hoje guardo com muito carinho: “Prefeitura só recicla 1% do lixo de São Paulo”.

Já naquela época recebi reclamações. “Claro que a prefeitura reciclava muito mais”, dizia a nota. Mentira. Reciclava só isso mesmo. E sabe por quê? Porque ninguém sabia que a prefeitura recolhia o lixo separadamente. Aliás, nem isso foi confirmado. Alguém tem certeza de que existe coleta seletiva na sua rua? O caminhão de lixo comum é o mesmo que o caminhão de lixo reciclável e ninguém tá nem aí se aquele saquinho tem papel ou aquele tem resto de comida. Tudo para no mesmo lugar.

Aí que tá. Todo mundo se comoveu vendo “Uma Verdade Inconveniente”, viu “Wall-E” como o futuro do planeta. E todo mundo se mexeu, menos a prefeitura de São Paulo.

A matéria sobre a piscina foi publicada. Página 3 do JT, destaque na capa. Destaque na capa também do Estadão. Fiquei muito feliz. O pessoal da redação me elogiou. Todo mundo gostou da matéria.

No dia seguinte vem nota da Sabesp dizendo que não foram informados da situação toda.

Hoje me liga assessora gritando comigo porque publiquei coisas que ela não tinha dito. Mentira. Tenho tudo anotado e não tenho essa imaginação toda.

É realmente muito fácil dizer que a prefeitura tem um comportamento ambientalmente responsável, mas não há ações. Nem para comprovar, nem para mostrar que algo está sendo feito.

Aí eu fico com raiva, fico puta, fico roxa de ódio. Quando eu não pressiono as assessorias de imprensa, confio no que me dizem, a editoria me diz que eu tenho de ser mais dura com esse bando de jornalistas vendidos. Quando publico algo que deixa a prefeitura mal recebo notas de reclamação e telefonemas grosseiros. É nessas horas em que vejo que aqueles professores, mais inexperientes do que eu, bem que tinham razão. Ser jornalista é uma merda e o mais fácil é desistir.

Mas quando a Sabesp informa que vai resolver o problema, os 150 mil litros de água deixam de ir para o esgoto para serem aproveitados com coisas úteis e a matéria chama a atenção para um problema tão real, tenho a certeza de que essa é a melhor profissão do mundo e eu não a trocaria por nada.


Sonhei

August 2, 2009

Eu tenho um certo medinho dos meus sonhos.

Dizem que os sonhos misturam lembranças da infância, traumas e experiências do dia, mas eu raramente encontro alguma coisa nesse sentido nos meus sonhos. Não dá mesmo para entender de onde a minha cabeça tira algumas coisas.

Ontem, por exemplo, eu sonhei que eu era filha do Carlos Eduardo Dolabella com a Natália do Vale (detalhe que eu nem sabia quem era a Natália do Vale até dar um google básico). Ele era um magnata das porcas (as do parafuso, não os animais) em uma cidade do interior do Rio de Janeiro.

Era o segundo casamento do meu pai. Ela, mais nova do que ele, havia sido a amante dele quando ele ainda era casado com outra mulher.

O casamento andava capenga, afinal meu pai trabalhava demais e a minha mãe, que não fazia nada, estava infeliz.

Eu namorava um carinha X aí. Ninguém que eu conheça, nenhum ator, infelizmente. E minha mãe, tentando sair comigo, conheceu um colega de sala do Leo e começou a namora-lo.

Olha só a situação. Minha mãe estava perdidamente apaixonada por um cara de 20 anos que faz faculdade com um dos meus melhores amigos.

E eu super apoiava a minha mãe. Queria que ela fosse feliz.

Enquanto ela traia meu pai eu tentava encobrir o caso. Papai era muito nervoso e se descobrisse com certeza iria matar mamãe. Mas ele nunca estava em casa. Claro que cedo ou tarde ela iria dar umas escapadas.

No dia dos namorados eu ia sair com o meu namorado e a minha mãe ia sair com o amante dela, que por motivos de Google, não direi o nome aqui. Acontece que meu pai quis surpreende-la para a data e acabou descobrindo tudo.

Eu ajudei os dois a fugirem da ira dele e acabei entrando em um teatro.

Era o teatro de Hairspray, no Rio de Janeiro, e o Charles estava lá comentando cada segundo, do lado do Miguel Falabella. O Miguel estava putíssimo e o Charles falava “Olha, a sua peça até que está boa, mas essa métrica não dá”. E o Miguel encarando o Charles com uma fúria teatral.

O Charles estava tão envolvido na produção que subiu no palco e começou a ser contra-regra, passando objetos aos atores e fazendo alguns efeitos sonoros. Nesse momento eu ligo para o Leo.

- Leo – eu digo quase sussurrando para não atrapalhar o ensaio geral que acontecia no palco – o Charles está trabalhando em Hairspray!

- Que? Ele renunciou o Sarney?

- NÃO! Está. Trabalhando. Hairspray.

- Não acredito que o Sarney renunciou no fim de semana!

Desliguei o telefone rindo e desci para o porão do teatro, onde encontro a minha mãe e o amante dela dormindo em colchões. Eles me falam que vão morar em um abrigo para moradores de rua, mas que serão felizes pois sempre vão se amar. E eu dou de ombros. Papai ainda me amava e minha mãe, aquela piranha, não tinha nada que trair meu pai.

E esse foi o meu sonho.


84, Charing Cross Road

July 30, 2009

Coleciono DVDs. Claro, sou cinéfila e não poderia ser diferente. Ultimamente, entretanto, tenho buscado DVDs demais.

Resolvi que queria alguns filmes em minhas prateleiras muito mais literários do que cinematográficos. Explico. Comprei “Mais Estranho que a Ficção” e “Nunca te Vi, Sempre te Amei”, tradução ridícula do belíssimo “84, Charing Cross Road”.

Os dois filmes me despertam o prazer da leitura, mas é o segundo que mais me cativou.

Acho que assisti há alguns anos em uma dessas sessões de madrugada em um canal de TV aberta. Confesso que foi em uma dessas sessões também que descobri “… E o Vento Levou” e alguns outros filmes clássicos. Por que não passam esses filmes em horários razoáveis, não é mesmo?

Acontece que o filme é apaixonante. É sobre uma escritora americana que encomenda livros de um sebo londrino e inicia uma troca de correspondência deliciosa com um dos funcionários da loja, Frank, e os outros empregados. Frank é interpretado por Anthony Hopkins e Helen, a escritora, é interpretada por Anne Bancroft. O filme é baseado em um livro de mesmo nome (o título original, claro, não a estupidez em português) que reuniu a correspondência entre os dois.

É lindo. É uma história de amor sim, mas não entre os dois, que estão separados por um oceano e se tornam amigos, apenas. Mas uma história de amor pela literatura, e não tem nada mais gostoso.

O título é o endereço da loja. Charing Cross Road é a rua em que se encontra o Leaky Caldroun, ou o Caldeirão Furado, de Harry Potter. É também a rua dos sebos em Londres. A rua mais fantástica por onde eu já andei.

Minha escola de inglês quando morei lá ficava nessa rua. Quase em Trafalgar Square. Lembro até hoje a primeira vez em que andei por lá. Eu já tinha visto o filme, já sabia da fama da rua, já era fã de Harry Potter e fã de literatura em geral. Desci do metrô com um sorriso no rosto e fui lambendo as vitrines de cada uma das livrarias pelas quais passei. Era praticamente meu primeiro dia na cidade e eu não poderia ter escolhido mel

Almost there

Eu não tirei nenhuma foto da rua, então roubei essa da internet. É com “vista” para Leicester Square, onde existe uma concentração básica de cinemas e onde costumam acontecer as premieres europeias.

Imaginem então minha satisfação. Estudava em uma rua conhecida por seus sebos, próxima de um dos principais pontos turísticos da cidade, Trafalgar Square, ao lado da concentração de cinemas, teatros e o ponto onde aconteciam as premieres. Minha felicidade não podia ser medida.

Quero voltar.

Bom, anyway. Hoje chegou o DVD. Eu tive de comprar pela internet, pois o filme não é mais fabricado. Não encontrei em nenhuma loja. Ainda bem que a Lojas Americanas tinha.

Eu amo receber pacotes. E esse filme descreve isso também. O sentimento fantástico que temos ao receber pacotes pelo correio. Tipo “My Favorite Things”, de “Sounf of Music”: “Brown paper packages, tied up with strings. These are a few of my favorite things”. E de fato são. Não tem nada melhor do que receber encomendas pelo correio.

O fato de o filme ser quase uma raridade também me aproximou dos personagens. Delícia.

Quero o livro agora. Quero poder descobrir eu mesma, página por página, como esses dois personagens se tornaram amigos, sem nunca terem se visto.

A história é tão bonita e tão atual que eu proponho uma refilmagem da história. Uma readaptação.

Duas pessoas se conhecem pela internet. Trocam e-mails, depois passam a trocar cartas (pois é mais legal), mandam presentes um para o outro, comentam tudo, mas nunca se conhecem. Acho que já vivi isso… Com um final diferente! :p

Esse post foi uma declaração de amor. Ao filme, à Charing Cross Road, aos livros e, principalmente, aos amigos com quem só troquei palavras durante muito tempo, mas com quem hoje posso trocar abraços.

E meus posts antipáticos vão se contagiando pelos filmes fofos.


A Vida, o Universo e nada mais

July 24, 2009

“Muito além, nos confins inexplorados da região mais brega da Borda Ocidental desta Galáxia, há um pequeno sol amarelo e esquecido.

Girando em torno deste sol, a uma distância de cerca de 148 milhões de quilômetros, há um planetinha verde-azulado absolutamente insignificante, cujas formas de vida, descendentes de primatas, são tão extraordinariamente primitivas que ainda acham que relógios digitais são uma grande idéia.

Este planeta tem – ou melhor, tinha – o seguinte problema: a maioria de seus habitantes estava quase sempre infeliz. Foram sugeridas muitas soluções para esse problema, mas a maior parte delas dizia respeito basicamente à movimentação de pequenos pedaços de papel colorido com números impressos, o que é curioso, já que no geral não eram os tais pedaços de papel colorido que se sentiam infelizes.

E assim o problema continuava sem solução. Muitas pessoas eram más, e a maioria delas era muito infeliz, mesmo as que tinham relógios digitais.

Um número cada vez maior de pessoas acreditava que havia sido um erro terrível da espécie descer das árvores. Algumas diziam que até mesmo subir nas árvores tinha sido uma péssima idéia, e que ninguém jamais deveria ter saído do mar.

E, então, uma quinta-feira, quase dois mil anos depois que um homem foi pregado num pedaço de madeira por ter dito que seria ótimo se as pessoas fossem legais umas com as outras para variar, uma garota, sozinha numa pequena lanchonete em Rickmansworth, de repente compreendeu o que tinha dado errado todo esse tempo e finalmente descobriu como o mundo poderia se tornar um lugar bom e feliz. Desta vez estava tudo certo, ia funcionar, e ninguém teria que ser pregado em coisa nenhuma.

Infelizmente, porém, antes que ela pudesse telefonar para alguém e contar sua descoberta, aconteceu uma catástrofe terrível e idiota, e a ideia perdeu-se para todo o sempre.

Esta não é a história dessa garota.

É a história daquela catástrofe terrível e idiota, e de algumas de suas consequências.”

- O Guia do Mochileiro das Galáxias, de Douglas Adams.

Tem humor mais refinado?

Sou apaixonada por Douglas Adams. Ele foi roteirista de alguns episódios de Doctor Who e se gabava por ser o verdadeiro DNA, suas iniciais. Olha, A-PAI-XO-NA-DA

Super recomendo os livros e o filme.

Bom, aí que sempre que eu penso no Guia, ou em Doctor Who (aliás, xpia o novo Doctah, que gatchenho:

) eu penso se vou estar aqui para cobrir o dia em que a humanidade irá descobrir que não está sozinha no universo. Sério. Quero escrever matérias sobre isso…

O dia em que eu estiver inspirada eu escrevo uma matéria jornalística de ficção sobre esse dia. Orson Welles ficará no chinelo. Eu sou super modesta.


Eu peguei gripe suína

July 23, 2009

Ou pelo menos deveria ter pego… Facilitaria meu trabalho.

Hoje fui a algumas farmácias de São Paulo perguntar uma série de coisas:

1 – Vocês têm álcool gel?

2 – Vocês têm máscara contra a gripe suína?

3 – E Tamiflu? Tem? Posso comprar sem receita?

4 – E já que vocês não têm nada disso, o que eu posso tomar para não pegar a gripe suína?

Agora imaginem vocês a minha situação. Cada vez que eu entrava em uma farmácia as pessoas riam da minha cara. Claro, porque para pedir indicação de algum remédio preventivo eu não podia falar que era jornalista.

Eu parecia uma desesperada. Morrendo de medo de pegar a maldita doença.

Não que eu não esteja com medo. Medo eu tenho. Mas, oi? Não vou gastar 30 reais na farmácia para tentar evitar uma coisa que taí. Que está nas mãos do destino se eu vou pegar ou não.

A bola mágica, quando eu perguntei se ia pegar gripe suína, me respondeu um “are you kidding?”. Gosto de confiar na bola. A bola sabe tudo.

De qualquer forma comprei o tal do gel, na primeira farmácia que eu entrei. Aliás, a única que realmente tinha a porrinha do gel.  (Acho que eu tenho sorte com “primeiras farmácias”, foi assim também com aquela do fatídico Jerry, Hello)

Foto poética com o meu note ao fundo

Foto poética com o meu note ao fundo

Olha só a foto. O mundo representado com três globos de neve de diferentes países, o álcool gel contra a gripe suína e o meu note ao fundo, com a foto das pessoas de máscara. Não simboliza bem o que é esse medo? HAUHAUAHUA

Eu só quis mostrar algumas das coisas que eu mais gosto no quarto, ok?

Bom, aí eu estava lá na Paulista. Andando de farmácia em farmácia me deixando passar por louca.

São Paulo se encontra aqui

São Paulo se encontra aqui

E, olha, se a gripe suína tá por aí não vai adiantar comprar gel anti-séptico na Paulista não, minha gente. Porque olha só a quantidade de gente zuada que anda por aí. Uma tossidinha e pronto. Não há mãos limpinhas que salvem.

No final ninguém tentou me empurrar remédio nenhum, o gel acabou na grande maioria das farmácias, as máscaras que funcionam também acabaram e estamos todos fudidos. Mas a bola disse que eu não pego gripe suína. Tô sussa.


I’m a bitch

July 17, 2009

Eu sou bitchy. É a minha personalidade. Eu reclamo, eu faço comentários maldosos, eu encho o saco. Mas geralmente rola um equilíbrio. Eu não sou bitchy com todo mundo o tempo todo. Isso, aparentemente, faz de mim uma pessoa louca.

Hoje eu posso ser um amor de pessoa com você, amanhã eu já não garanto.

Tem pessoas que, coitadas, experimentam isso da pior maneira. O Léo, o Disney, é um dos piores. Tem vezes que eu sou a pessoa mais fofa do mundo com ele, como na semana passada. Tem outras em que eu sou tão grossa que fico me perguntando como ele aguenta. Sorte a minha, ele aguenta. E espera a tempestade passar até que eu volte a ser a pessoa mais fofa do mundo com ele.

Agora, diferente do que vocês podem imaginar, esse meu humor não segue um padrão. Não é TPM, não é tensão pré-pauta ou qualquer outro tipo de tensão. É simplesmente a minha personalidade se manifestando.

Tem dias, como hoje, em que eu simplesmente acordo a pessoa mais bitchy do mundo e tenho que torcer para a coisa desparecer no dia seguinte.

Descobri que o twitter só piora minha raiva com o mundo.

Tem uma coisa que eu detesto em algumas pessoas. Aliás, tem uma lista de coisas que eu detesto nos outros e que, sempre que identifico essas características em alguém eu sei que é o fim da amizade. Se você ainda é meu amigo é porque você tem apenas uma ou nenhuma das seguintes características:

1 – Hipocrisia – ODEIO gente hipócrita mais do que tudo na vida. Gente que diz uma coisa e faz outra. Gente que reclama de alguém mas faz a mesma coisa.

2 – Folga – Não tem nada pior do que gente folgada. E gente que reclama porque quer continuar a ser folgada.

3 – Egoísmo – Não o tipo de egoísmo “não quero te emprestar isso”, mas do tipo que monopoliza a conversa e faz tudo virar para si mesmo.

Tem gente que reúne as três características. Eu não me relaciono com esse tipo de gente. Mas tem gente que tem as duas primeiras características e tem twitter. Aí pronto. Imagina eu, em um dia bitchy como hoje, tendo que aguentar gente hipócrita e gente folgada falando sobre si mesmos no twitter. Esbanjando hipocrisia e falta de compromisso.

Hoje foi o dia de distribuir desaforos.

Alguém torce para amanhã eu estar melhor, ou perderei alguns amigos… Não me farão falta como amigos, mas contatos sempre são bons, né?


De volta

July 5, 2009

Faz muito tempo que não posto alguma coisa aqui, hein?

Bom, faz muito tempo que não tenho tempo. Ou histórias engraçadas pra contar…

Melhor corrigir. Histórias engraçadas eu até tenho. Mas aprendi minha lição quanto a falar sobre as pessoas no meu blog. Melhor deixar quieto, né?

Anyway. Ando bastante ocupada com o TGI (TCC do Mackenzie, lembram?), o que me fez ficar afastada do blog! Estou MUITO feliz com o que estamos fazendo até agora! O referencial teórico (parte mais chata) ficou muito bom, segundo meus professores. Tirei 10 com o meu orientador! Fiquei absurdamente feliz!

As entrevistas também estão indo bem. Eu fiquei pensando se postava ou não os capítulos aqui, mas achei melhor não! Quando o livro estiver pronto quem quiser me pede uma cópia. Eu mando.

E se muitas pessoas pedirem será um argumento para que eu publique de verdade. HAUAHUA

Ou seja, galera, bora pedir!

Mas olha só, né? Em meses e meses que eu não escrevo aqui muita coisa mudou.

Agora eu tenho twitter. Pode dar um follow quem quiser. Eu, que sempre critiquei, tenho twitter. E acesso todos os dias. Vergonha.

Outra coisa que aconteceu: o mundo perdeu Michael Jackson.

Outro dia eu estava vendo De Volta para o Futuro 2 e o Michael Jackson é citado, como vivo em 2015. Isso não é irônico? Os carros voam em 2015, segundo o filme. Mas, até agora, o que desenvolvemos? Um telefone com touch screen… As pessoas morrem de gripe em 2009! Alguém confia que em 2015 teremos tudo isso? Eu não!

Bom, é isso! Esse post era só para declarar que eu vou voltar a escrever.Agora do meu notebook! Yuhuuuu!

Até depois!